ERGONOMIA SEM MISTÉRIOS – NOTA TÉCNICA 1 – O QUE É ERGONOMIA

O QUE É ERGONOMIA?

Falar de ergonomia ainda é muito complexo para muitas pessoas e empresas sendo ainda mais complexo se falar em Ergonomia na vida diária.

Nesta pauta, não vamos falar sobre metodologias que aplicamos em Ergonomia, nem em cálculos mecânicos. Vamos nos ater a explicar de forma clara, PARA TODOS, o que é ERGONOMIA e a importância desse assunto na vida de cada pessoa.

No Brasil como outros países, a adoção de técnicas ergonômicas faz parte de uma Norma Federal muito fiscalizada: A NR 17 do Ministério da Trabalho e Emprego. Portando LEI.

Antigamente, se dizia que o principal objetivo da ergonomia era desenvolver e aplicar técnicas de adaptação de elementos do ambiente de trabalho ao ser humano, com o objetivo de gerar o bem-estar do trabalhador e consequentemente aumentar a sua produtividade além de se fazer cumprir uma das Normas do Ministério do Trabalho, a NR17.

Hoje a visão é totalmente diferente – a ERGONOMIA é vista com um dos principais fatores para manutenção da QUALIDADE DE VIDA. A ERGONOMIA É PARA TODOS!

Aqui vamos falar realmente o sentido da ERGONOMIA

A origem da palavra ERGONOMIA vem da Grécia, sendo que ERGO = trabalho e NOMOS = regras.

Antes de mais nada, uma definição que gosto muito sobre o que é Ergonomia porém, voltada ainda, á visão de ergonomia no trabalho e:

1987 Wisner – Ergonomia é um conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência.

Para nós, ampliando e resumindo podemos dizer que – ERGONOMIA É A CIÊNCIA DO CONFORTO

Mas, o que se pode falar sobre esse “conforto”

A Ergonomia estuda o conforto do indivíduo. O conforto relacionado a situações que não agridam o seu físico e mesmo a sua mente.

O CONFORTO  é estruturado a partir dos conhecimentos científicos sobre o ser humano, isto é, sobre suas características osteomusculares e  psicofisiológicas  para, a partir deles, conhecer suas necessidades e suas limitações e daí conceber ou modificar equipamentos, ambientes e procedimentos de forma a se mostrarem  adequados ou “ergonômicos” a quem utiliza.

RESUMO: Estudar o ser humano para saber o que ele pode fazer  e onde ele pode estar sem danificar seu organismo. É um estudo multidisciplinar.

Pode parecer um tanto complexo mas, é uma questão de entendimento, bom senso e, principalmente, conscientização.

Dizemos que o RISCO ERGONÔMICO é PERIGOSO PORQUE É SILENCIOSO e, muitas vezes, IRREVERSÍVEL.

Entendendo o que é conforto podemos falar de ERGONOMIA e percebemos que devemos abordar o assunto de forma global não apenas nos aspectos do trabalho e é nesse ponto que queremos chegar.

É preciso entender que a Ergonomia é importante em todas as situações, não apenas no trabalho porque condições adversar ao bem estar do organismo trarão problemas onde quer que o cidadão esteja no TRABALHO, EM CASA E NO LAZER, TODOS NECESSITAM DESSE “CONFORTO” PARA SUA QUALIDADE DE VIDA.

O caráter multidisciplinar da ergonomia nos fascina:

ANATOMIA- FISIOLOGIA – BIOMECÂNICA (postura) – ANTROPOMETRIA – PSICOLOGIA – ENGENHARIA – DESENHO INDUSTRIAL , todos estudos são necessários para a ERGONOMIA

Com relação a ERGONOMIA no trabalho concluímos que a perfeita integração entre as condições de trabalho e a tríade: CONFORTO – SEGURANÇA – EFICIÊNCIA do trabalhador ou do posto de trabalho pode ser considerada a busca dos procedimentos ideais ou seja, processos ergonomicamente corretos.

Quanto aos Tipos de ERGONOMIA

Nossa escola não divide a ERGONOMIA em tipos mas sim dividir os focos de abordagem ou entendimentos tais como os alencados abaixo

  1. Em nossos trabalhos, consideramos 3 tipos de abordagens Ergonômicas

ERGONOMIA DE CORREÇÃO: Envolve e estuda: Atividade; Ambientes físicos; Iluminação, ruído, temperatura, etc; O posto de trabalho; Dimensões, formas, concepção etc. Atua de maneira restrita modificando os elementos parciais do posto de trabalho, como: Dimensões, Iluminação, Ruído, Temperatura, etc. Tem eficácia limitada, pois corrigir sempre custa mais dinheiro.

ERGONOMIA DE CONCEPÇÃO: Interfere amplamente no projeto, da concepção do posto de trabalho, do instrumento, da máquina ou do sistema de produção, da organização do trabalho e formação de pessoal.

ERGONOMIA DE (ou E) CONSCIENTIZAÇÃO: Ensina ao colaborador ou associado a usufruir os benefícios de seu posto de trabalho. Boa postura, Uso adequado de mobiliários e equipamentos. Implantação de pausas, Ginástica laborativa (antes, no meio e depois da atividade). Conscientizar o colaborador a usar a ergonomia em todas as ocasiões e não apenas no que considera trabalho.

  1. O IEA –  International Ergonomics Association ,  divide em 3 tipos de Ergonomia (conforme artigo já mencionado em nosso site

Ergonomia Física: está relacionada com as respostas do corpo humano, físico e psicológico, que incluem: estudo da postura, manipulação de materiais, movimentos repetitivos, lesões músculo-esqueléticas, demandas de trabalho, segurança e saúde.

Ergonomia Cognitiva: estabelece a relação dos processos mentais, memória, raciocínio, percepção, atenção, cognição, controle motor e como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. O que implica compreender: a carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho e habilidade, interação homem-computador, treinamentos e erro humano.

Ergonomia Organizacional: é a otimização dos sistemas sóciotécnicos, ou seja, a estrutura organizacional, as políticas e processos. Refere-se a comunicações, trabalho em turnos, satisfação do trabalho, trabalho em grupo, teoria motivacional, supervisão, organizações de rede, trabalho à distância, gestão de qualidade e ética.

Continunado:

Apenas elucidando, não falaremos aqui a história de como surgiu a Ergonomia (mesmo sendo um assunto interessante e pauta de outro artigo escrito por nós), traremos aqui uma classificação feita em 1993 por Hendrick onde ele menciona as 4 fases da Ergonomia de acordo com a tecnologia enfocada. Em cada uma delas, nota-se que a adaptação do posto vai perdendo a força para a qualidade do processo, da organização e da qualidade de vida como um todo.
1° fase: Ergonomia de Hardware ou Tradicional surgiu durante a 2° Guerra Mundial e representa o início da ergonomia “human factors” como ciência formal. Incialmente concentrou-se no estudo das características físicas do ser humano (capacidades e limites) com utilização militar e em seguida direcionando-se para área civil, voltadas às questões físicas e fisiológicas e biomecânicas do ambiente de trabalho e na interação dos sistemas homem-máquina.
2° fase: Ergonomia do Meio Ambiente que trata das questões ambientais naturais e artificiais (ruído, vibrações, temperatura, iluminação, aerodispersóides) que interferem no trabalho. Fortaleceu-se em função do interesse em compreender melhor a relação do ser humano com seu meio ambiente que se integram também com as questões ecológicas de reequilíbrio do planeta atualmente muito em voga.
3° fase: Ergonomia de Software ou Cognitiva lida com o processamento de informações, com o advento da informática de forma massiva a partir da década de 80. Essa modalidade está focada na interface da interação entre o homem e a máquina, que deixa de ser como na fase tradicional (antropométrica, biomecânica e fisiológica), e passa ter boa parte desse relacionamento intangível no campo físico, o operador não manuseia mais o produto, mas sim comanda uma máquina que está operando sobre o produto. A tecnologia da informação passa a ser uma extensão do cérebro e as interfaces para operação tem que levar em conta fatores cognitivos para facilitar o comando.
4° fase: Macroergonomia diz respeito a uma visão mais ampla da ergonomia, deixando de se restringir ao operador e sua interação com a máquina, atividade e ambiente, ela entra no contexto organizacional, psicossocial e político de um sistema. Diferencia-se das anteriores por priorizar o processo participativo envolvendo administração de recursos, trabalho em equipe, jornada e projeto de trabalho, cooperação e rompimento de paradigmas. O que garante intervenções ergonômicas com melhor resultado, reduzindo o índice de erros, e gerando maior aceitação e colaboração por parte das pessoas envolvidas.

Finalizando:

Temos várias divisões várias classificações de ergonomia e trouxemos aqui algumas para conhecimento de nosso leitor mas, frisamos que, para nós, todas essas divisões e classificações são importantes mas, também importante é a nossa Conscientização.

Na empresa, a falta da Ergonomia implica em baixa produtividade, afastamento da empresa e complicações para a saúde do trabalhador (LER/DORT)

Na vida, a falta de Ergonomia implica em lesões e problemas muitas vezes irreversíveis que prejudicam demasiadamente a qualidade de vida do cidadão, problemas esses que por conta do modo de vida atual, estão se tornando cada vez mais observados e cada vez mais precocemente

Por essas razões mais e mais se faz  necessário mencionar, é que a ergonomia não pode se restringir a ser estudada apenas com foco no trabalho.

A Ergonomia transcende o trabalho, transcende as legislações para ser permeada por todas as atividades do indivíduo, qualquer que seja, onde seja e para que seja a atividade exercida. Vamos além, até mesmo quando não se está fazendo uma atividade por exemplo, no cinema, no automóvel ou dormindo.

Essa é a nossa forma de ver a importância da Ergonomia e como sempre repetimos...A Ergonomia não tem mistérios, a Ergonomia tem soluções… A Ergonomia é a ciência do CONFORTO!

Osny Telles Orselli

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