23/11/2006 – A VERDADE SOBRE A PREVENÇÃO DAS LER

A VERDADE SOBRE A PREVENÇÃO DAS  “LER”

Muito se tem dito sobre, as chamadas no Brasil como “LER” – Lesões por Esforços Repetitivos. Uma coisa é certa: a única saída para a chamada epidemia da virada do século está na prevenção, pois sua cura, tratamento e reabilitação são muito demorados e  custosos.
No entanto,  um programa adequado de prevenção deve levar em conta que há várias causas (fatores de risco) e, portanto, várias ações devem ser adotadas. Uma delas está intimamente e imediatamente  ligada à postura.

Quem tem má postura ou seu posto de trabalho força a má postura, é sem dúvida alguma, um forte candidato à uma tendinite, por exemplo.
Devemos nos ater ao posto de trabalho , seja ele “sentado” ou “em pé”, e adotar medidas ergonômicas através de adaptação do posto ou através da introdução de EPC’s e/ou  EPI’s,  especificamente projetados para se corrigir a má postura.

Outro aspecto fundamental está  relacionado com o condicionamento físico do trabalhador, seja ele de uma linha de produção contínua, de uma caldeiraria, de um almoxarifado e, é claro, de um digitador de computadores ou caixas de banco e supermercados.

Está comprovado que exercícios físicos de aquecimento, alongamento e flexões antes, durante e após a jornada de trabalho ajudam em muito a prevenção das LER, desde que orientados por especialista na área.
Os americanos que se preocupam muito  com a prevenção em geral, no caso das LER, adotam o que eles chamam  de educação  com conscientização do trabalhador. Nos EUA mais de 30 % das LER tem origem ou se potencializam fora do local de trabalho.

Portanto, treinamento e conscientização cultural devem ser instituídos para que o trabalhador absorva as técnicas fundamentais de prevenção postural , descansos programados,  número limitado de toques ( no caso de digitação) e EPI’s e EPC’s adequados.

No caso de EPI’s , muito se tem falado sobre qual o suporte de punho (ou munhequeira)  deve ser usado.

Suportes de punho devem ser escolhidos em função da tarefa, do trabalho desenvolvido.

Para uma tarefa em que o trabalhador manuseará ferramentas ou cargas mais pesadas, deve ser escolhido um suporte de punho mais pesado, mais forte, de maneira que o trabalhador não abuse dos movimentos dos punhos.

Em contra partida, no caso de digitação, ou de uma linha de produção de componentes eletrônicos, por exemplo,  os suportes  de punho deverão ser extremamente mais  leves.

De qualquer  maneira, a escolha do suporte de punho mais adequado , para prevenção, não deverá incluir qualquer tipo que imobilize o punho. O suporte deverá ser flexível, deverá servir como um dispositivo que evite abusos com o punho, porém jamais imobilizá-lo.

Qualquer EPI que imobilize o punho fará com que o trabalhador esforce seus tendões e musculatura , criando tensões. Essas tensões podem levar às LER de maneira mais rápida.

Assim, o uso de imobilizadores como munhequeiras com talas de plástico, alumínio ou outro tipo que imobilize os punhos não devem ser usados quando se pratica a prevenção.

Não se deve confundir o uso de imobilizadores, recomendados quando em regime de correção, isto é, quando a doença já se manifestou.
Mas, neste caso, em hipótese alguma, o trabalhador deverá usar esta tala e trabalhar.
Ele deve seguir a terapia médica normalmente com a aplicação de antiinflamatórios, exercícios específicos, fisioterapia e imobilização total,  porém,  sem fazer uso do punho lesado para o trabalho.
Somente o médico especializado deverá prescrever e recomendar  tratamento adequado para os iniciantes e portadores das chamadas LER.

Há estudos ainda não conclusivos, para casos iniciais de LER, onde se aplicam suportes de punho sem tala durante o trabalho e com tala durante o descanso.

No caso específico de digitação em teclados de computador e terminais de caixa, é altamente recomendado o uso de um EPC do tipo descansa  punho também chamado descanso de teclado.

Uma das mais fundamentais leis da física, leva em conta que uma parte substancial da massa do braço se apoiará e em conseqüência, exercerá uma força sobre o descanso de teclado e pelo principio da ação e reação , receberá uma força de sentido contrário e de mesmo módulo atuando no braço, e neste caso atuará mais precisamente no punho. Assim, é altamente recomendado que este descanso para teclado ou descanso para terminal tenha uma largura de no mínimo  9,50 centímetros, a fim de distribuir melhor a força acima mencionada, e em conseqüência, não gerar mais um foco de tensão, o que justamente estamos buscando evitar.

Uma palavra para um EPC ( Equipamento de Proteção Coletiva) esquecido: Dizem que o primeiro descansa pés a gente não esquece; certamente estamos nos referindo aos descansa pés que  utilizam  listas ou catálogos telefônicos.
Qualquer descansa pé já traz um efeito benéfico ao trabalhador sentado.

Só o fato de se evitar compressão na parte inferior das coxas e portanto, se evitando uma má circulação já é benéfico.
Entretanto, o descansa pé ideal é aquele que provocará menos tensão nos pés e membros inferiores, toda a vez que o trabalhador mudar de posição;  sabemos que a mudança de posição é uma reação normal e altamente necessária, justamente para se evitar uma concentração de tensão nos diversos tendões e músculos do corpo.

Assim, aqueles  EPC’s que acompanham os movimentos das plantas dos pés, em movimentos rotacionais e translacionais,  são os mais recomendados.

Nota: A nomeclatura oficial indica o nome DORT Distúrbio Osteo Muscular Relacionado so Trabalho. Tendência mundial em todas as línguas.

Arnaldo Acayaba de Toledo: Médico do Trabalho, Médico Acupuntor,  Diretor da Associação Médica Brasileira de Acupuntura e Presidente da Sociedade Brasileira de Estudo da Postura:
E-Mail: acayaba@opus.com.br

Osny Telles Orselli: Engenheiro de Segurança do Trabalho, Colaborador da Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes, Membro da Associação Brasileira dos Profissionais de Higiene e Segurança do Trabalho, Membro do Capítulo Internacional da American Society of Safety Engineers – ASSE – Diretor Técnico da Bras Golden. Site: http://www.mundoergonomia.com.br
Artigo publicado em 1998 na Revista CIPA e reeditado em periódicos técnicos.

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