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Eficácia, eficiência e finalidade de um exame laboratorial
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Eficácia, eficiência e finalidade de um exame laboratorial

A medicina de nosso grupo é pautada na prevenção com a observação dos fenômenos biológicos, a procura de soluções para diminuir o impacto das ações que acarretam como reações as doenças. Nosso grupo trabalha com a necessidade de se provar, cientificamente, a eficácia de métodos propedêuticos, de procedimentos terapêuticos e na eficiência de testes laboratoriais. Nosso grupo trabalha com foco na prevenção e no que se denomina medicina baseada em evidências.

Aqui falaremos dos exames laboratoriais. Evidente que para solicitar a um paciente a realização de um exame laboratorial é necessário que se tenha uma finalidade.

Todos os exames, sem exceção, desde o corriqueiro exame clínico até uma tomografia computadorizada, estão limitados pela sensibilidade, especificidade e valor preditivo pré-teste. (aqui deixamos fora desse contexto APENAS o exame para detecção do fator Rh e Grupo Sanguíneo)

A indicação de um exame para fins diagnósticos deve ser regida pela relação custo-benefício, levando-se em consideração o valor preditivo pré-teste (igual à prevalência da doença) além da objetividade do mesmo ou seja, o que fazer com o resultado? Para todos os exames com fins diagnósticos é necessária a existência de um protocolo de continuidade.

Para que fazer um exame laboratorial?

Para fins de diagnóstico ou para fins epidemiológicos.

Interpretação e Eficiência de um Teste

A avaliação um exame laboratorial quer para diagnóstico quer para fins epidemiológicos tem que estar rigorosamente pautada em seu VPP e VPN

Valor preditivo positivo (VPP): é a probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado positivo ser realmente doente. 

Valor preditivo negativo (VPN): é a probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado negativo ser realmente normal.

O cálculo desses 2 parâmetros é simples:

 

Sensibilidade (s) – é a probabilidade de um indivíduo avaliado e doente de ter seu teste alterado (positivo).

s = número de indivíduos doentes e com teste positivo/número total de indivíduos doentes; ou:

s = VP / (VP + FN) (equação 1)

Especificidade (e) – é a probabilidade de um indivíduo avaliado e normal ter seu teste normal (negativo).

e = número de indivíduos normais e com teste negativo/número total de indivíduos normais; ou:

e = VN/(VN + FP) (equação 2)

Prevalência (p): é a fração de indivíduos doentes na população total avaliada.

p = número de indivíduos doentes / número de indivíduos da população; ou: p = Do/n (equação 3) (onde: Do = doentes; n = população)

Valor preditivo positivo (VPP): é a probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado positivo ser realmente doente.

VPP = VP / (VP + FP) (equação 4)

Valor preditivo negativo (VPN): é a probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado negativo ser realmente normal.

VPN = VN / (VN + FN) (equação 5)

A partir dos dados expostos podemos delinear as seguintes fórmulas:

Se: Do = p . n, Sa = (1 ¾ p) . n, VP = s . Do, VN = e . Sa

FP = (1 ¾ e) . Sa e FN = (1 ¾ s) . Do

Onde Sa = Sadios Então: VP = s. p. n (equação 6)

VN = e. (1 ¾ p) . n (equação 7)

FP = (1 ¾ e) . (1 ¾ p) . n (equação 8)

FN = (1 ¾ s) . p . n (equação 9)

Do mesmo modo:

VPP = VP / (VP + FP)

VPP = s . p . n / [s . p . n + (1-e) . (1- p) . n]

VPP = s. p / [ s . p + (1 ¾ e) . (1 ¾ p)] (equação 10)

Do mesmo modo:

VPN = VN / (VN + FN)

VPN = e.(1 – p) . n / [e . (1 – p) . n + (1- s) . p . n]

VPN = e . (1 – p) / [ e . (1 ¾ p) + (1 ¾ s) . p ] (equação 11)

Exemplo de interpretação

VPP = 3,3% e VPN = 99,8%, significa que, se o teste for positivo, existem 3,3% de chances da paciente realmente ser doente, contra 96,7% (100-3,3%) de ser normal, apesar do resultado ser positivo. Se o teste for negativo, existem 99,8% de chances da paciente ser normal contra 0,81% (100-99,8%) de ser doente, apesar do resultado ser negativo.

Em outras palavras: testando-se este tipo de paciente seriam necessários realizar 100 testes para diagnosticar a doença em apenas 3,3 pacientes. O solicitante necessita saber exatamente essa probabilidade para fazer valer a relação resultado x anamnese = diagnóstico.

Concluindo: Solicitar um exame laboratorial exige do solicitante muito mais do que, APENAS, solicitar o exame. É necessário conhecer a sua metodologia para poder saber sua  REAL interpretação.

Muitas pessoas tem nos procurado para saber se devem ou não realizar os testes para o COVID 19.

Antes de responder se devem fazer, perguntamos qual finalidade de fazer esse teste além da fidelidade do resultado que irão receber.

Em outro artigo esclareceremos o que são e o que determinam esses testes.

estamos trabalhando para um #retornoseguro  #retornoconsciente

Célia Wada

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