EDUCAÇÃO É A SOLUÇÃO

EDUCAÇÃO É A SOLUÇÃO

Num caso mais ou menos recente , nos EUA , verificou-se com um grupo de digitadoras que as mesmas estavam utilizando tudo o que havia para se prevenir das chamadas LER (Lesões por Esforços Repetitivos ) ou Traumas por Esforços Cumulativos como os americanos costumam denominar.

Desta maneira , mesas ergonômicas, cadeiras bem estruturadas com acentos ergonômicos, encostos anatômicos, apoios para os pés de maneira que a sola dos sapatos ficasse sempre apoiada, rotação de funções, descansos freqüentes , limites de toques por
tempo , suportes ou luvas ortopedicamente estudadas , e, finalmente exercícios de flexão , aquecimento e alongamento antes do trabalho e durante alguns intervalos, eram adotados nesta Empresa. Mesmo assim , 8 das 100 funcionárias apresentaram sintomas de tenossinovite nos pulsos após cerca de 6 meses !

Porque só as 8 apresentaram este quadro ?.
Alguém de bom senso , chegou a conclusão de que se precisaria verificar o que elas faziam depois do trabalho ou nas horas de folga. Pois bem , as 8 pertenciam a um Clube de Tricot !! Imaginem digitadoras fazendo tricot ; e é claro, durante a tricotagem não faziam exercícios , não usavam suportes para pulso , paradas , etc., por simples ignorância. Elas não foram treinadas ou informadas sobre o que deveriam fazer ou se prevenir fora do ambiente de trabalho. A partir desta data , constatou-se que as técnicas de prevenção precisariam chegar e atingir as horas de folga dos empregados , principalmente aqueles sob risco de LER .

Como fazer ?

Já é difícil conscientizar o empregado a adotar medidas preventivas dentro do ambiente de trabalho , imagine fora !

Vamos utilizar o conhecido e difícil método da cultura.
Cultura é a maior ferramenta da prevenção .
Entretanto sabemos que é muito difícil transmitir ao empregado , de maneira eficaz , os dados e informações necessários para que haja uma auto prevenção.

Esta empresa norte americana vem propondo uma técnica de treinamento combinada com bem dosada e didática seções de lições que permitiram e estão permitindo a muitas empresas norte americanas enfrentar o fantasma das LER com ótimos resultados.

É o que os americanos denominam como Estratégia!, cujo termo em português mais próximo seria Programa porém, a nosso ver, sem a mesma ênfase do vocábulo original.
Em suma , a técnica consiste , através de material específico, didático, bem dosado psicologicamente , transmitir e fazer com que o empregado absorva ensinamentos e conhecimento de seu corpo, que farão com que ele se previna , ele mesmo de situações
dentro e principalmente fora da Empresa, de riscos de lesões. Em resumo , a idéia é transformar o empregado em um especialista em pulso, coluna, etc. (com direito a Diploma e tudo..)

É interessante registrar que nos EUA estes empregados após este treinamento, além de se resguardarem, passaram também a transmitir aos seus familiares e colegas , as técnicas de prevenção , pois a qualquer momento e em todo o lugar estamos sujeitos a lesões.

Esta técnica foi adaptada e estruturada para outras partes do corpo, notadamente para as costas (coluna) com excelentes resultados , fazendo com que , além da prevenção propriamente dita , as lombalgias, os mal jeitos , lesões e contusões de fim de semana deixassem de ser uma rotina das segundas-feiras nas portas dos ambulatórios das Empresas.

No Brasil , estamos ainda longe de proporcionar condições de transporte e lazer como uma boa parte dos empregados norte americanos usufruem. Sabemos como é difícil para a maioria dos empregados enfrentar duras filas , transportes super lotados e nas horas de folga , participar de mutirões para a construção das suas moradias… Assim, no Brasil, a prevenção fora do posto de trabalho tem características muito mais relevantes do que nos EUA. A transmissão de cultura não é nova .

É difícil . Particularmente confortante é saber que este método, simples, tem recebido muitos elogios dos empregados e dos sindicatos. Estes últimos não querem nada mais do que dignidade e respeito aos seus afiliados . Neste caso podemos considerar que a probabilidade dos índices de lesões diminuírem, as lombalgias se atenuarem, o trabalhador com maior chance de chegar e sair de seu emprego mais disposto e mais feliz, redução de custos médicos, de absenteísmo e ainda a grande possibilidade de aumentarmos a produtividade e a motivação… E ainda deixaremos o sindicato satisfeito.

Eng. Osny Telles Orselli

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