Amazônia – uma questão de ética, respeito e conhecimento

A comoção mundial provocada pela ocorrência das queimadas na Amazônia tem provocado uma avalache de mensagens com informações que tem foco na destruição das nossa áreas verdes e na falta de responsabilidade do Brasil tornando o cenário inaceitável

Nós da CMQV  temos como nossa missão lutar pela melhoria da Qualidade de Vida e pela a Paz mundial, ajudando a preservar o planeta e a cuidar da saúde da nossa população e por esse motivo, não podemos deixar de nos posicionar frente a esses acontecimentos.

Traremos aqui uma apresentação ESTRITAMENTE TÉCNICA, sem nenhum cunho político partidário  sobre os acontecimentos e deixaremos a cargo da inteligência e do bom senso de todos aqueles que estão se posicionando e, também, para aqueles que estão assistindo sem saber, realmente, o que é FATO, o que é FAKE e o que são “interesses pessoais”.

Vamos deixar aqui, uma informação e uma explicação TÉCNICA.

Para esclarecer um pouco de todas essas “opiniões” sobre essas queimadas na Amazônia, vamos falar sobre 4 assuntos distintos:

1- Sobre a característica da Amazônia

2- Sobre a diferença de QUEIMADAS e INCÊNDIOS

3- O que é RISCO e dentro do Fator Risco, falaremos do Risco de incêndio, Ponto de Fulgor  e Poder Calorífico

4- FINALIZANDO  –  FLORESTA “PEGA FOGO” ?

1- Sobre a característica da Amazônia

O Brasil é formado por seis biomas de características distintas: 

Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Cada um desses ambientes abriga diferentes tipos de vegetação e de fauna e tem uma característica ambiental determinada.

A Amazônia é praticamente verde: um vasto mundo de águas e florestas, onde as copas de árvores imensas escondem o úmido nascimento, reprodução e morte de mais de um-terço das espécies que vivem sobre a Terra. A área verde da Amazônia possui uma imensa bacia hidrográfica o que propicie uma infinidade distintas de espécies.

Por conta dessa diversidade “verde”  os números são igualmente monumentais para a biodiversidade local.

A Amazônia é o maior bioma do Brasil: num território de 4,196.943 milhões de km2 (IBGE,2004), crescem 2.500 espécies de árvores (ou um-terço de toda a madeira tropical do mundo) e 30 mil espécies de plantas (das 100 mil da América do Sul). 

A bacia amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo: cobre cerca de 6 milhões de km2 e e tem 1.100 afluentes. Seu principal rio, o Amazonas, corta a região para desaguar no Oceano Atlântico, lançando ao mar cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo.

A umidade relativa do ar é muito elevada e atinge em média 88% na estação das chuvas e 77% na estação da seca.

Chove e faz calor quase todos os dias do ano.

Água e sol = fertilidade!

A Amazônia é um dos mais importantes biomas do mundo, pois possui uma gama variada de funções ambientais.

A Amazônia destaca-se pela produção de umidade por parte da vegetação, que ajuda a aumentar o regime de chuvas no ambiente ao redor e também em outras áreas, revelando mais uma das importâncias da floresta para o clima.

Para entender essa questão, é preciso considerar o conceito de evapotranspiração, que é a perda de água da vegetação para o meio ambiente em forma de transpiração ou evaporação.

Na Amazônia, a floresta recebe uma grande carga de umidade advinda do Oceano Atlântico que provoca chuvas na região.

Posteriormente, metade do que chove retorna pela evapotranspiração, o que se soma ao “bombeamento” da água do subsolo e dos rios para o ar feito pela própria floresta nesse processo.

Por esse motivo, a produção de umidade na Amazônia ocorre em larga escala, com centenas de milhões de litros d’água em forma gasosa ao longo do dia, formando uma massa de ar que se desloca para outras regiões.

Geralmente, graças aos ventos alíseos, esse ar úmido desloca-se em direção ao oeste, onde encontra um “paredão” formado pelas montanhas da Cordilheira dos Andes.

Nesse local, além de ocorrerem algumas chuvas (chamadas de chuvas orográficas), o ar carregado de vapor d’água desloca-se para o interior do continente sul-americano e, portanto, do Brasil, alcançando as demais regiões brasileiras e distribuindo chuvas.

Essas massas de ar forma o que chamamos de Rios Voadores. Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”,  formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos.

Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Resumindo – a Amazônia é uma região extremamente ÚMIDA

Deixo algumas ilustrações:

Apenas para ilustrar  deixo informamos que existe um projeto liderado por cientistas especialistas multidisciplinares  da área climática, meteorológica e de Ciências da Terra chamado de “Projeto Rios Voadores da Amazônia”.

Nesse projeto, avaliam-se a grande quantidade de ar úmido gerada pela floresta e sua importância para o clima do Brasil e também de outras partes do mundo. Segundo os resultados do projeto, os “rios voadores” (nome em referência à água em forma de vapor na atmosfera) movimentam-se em uma vazão superior à do Rio Amazonas, que é de 200 mil m³/s.

Portanto, parte das chuvas que ocorrem nas regiões Sudeste, Sul e, principalmente, Centro-Oeste é derivada da movimentação do ar carregado com a umidade oriunda da Amazônia, o que revela a sua importância ambiental.

Além disso, há indícios de que a presença da floresta reduz a pressão atmosférica local e, consequentemente, atrai massas de ar úmidas de outras regiões, principalmente do leste.

Equipe científica do projeto: https://riosvoadores.com.br/equipes/equipe-cientifica/

OUTRO ARTIGO TÉCNICO

3.5 – Brisa Fluvial 

2- Sobre a diferença de QUEIMADAS e INCENDIOS

Vamos ao conceito de QUEIMADAS e INCÊNDIOS

Queimadaé uma prática da agricultura – essa prática era destinada principalmente à limpeza do terreno para o cultivo de plantações ou formação de pastos, com uso do fogo de forma controlada que, às vezes, pode descontrolar-se e causar incêndios em florestas, matas e terrenos grandes

Incêndio –  é um acidente – é o fogo que se propaga de forma indesejada ou seja, não proposital.

TIPOS DE INCÊNDIO EM FLORESTAS:

1 – INCÊNDIO SUBTERRÂNEO (OU DE SOLO)

 O fogo se propaga lentamente e é independente da direção ou da velocidade do vento, ao contrário dos incêndios aéreos ou de copa, que avançam sempre na direção do vento.

2 – INCÊNDIO SUPERFICIAL

Começa sempre de um pequeno foco, provocado por: palito de fósforo ou ponta de cigarro acesos, fagulha, pequena fogueira, etc. Inicialmente, o incêndio se propaga em forma circular.

3 – INCÊNDIO AÉREO (OU DE COPA)

O fogo se propaga de árvore em árvore pela copa, ajudado pelo vento. Nesse tipo de propagação, a espécie vegetal e a densidade de árvores, são muito importantes.

FATORES QUE INFLUEM NA PROPAGAÇÃO

1 – QUANTIDADE, TIPO E ARRANJO DO MATERIAL COMBUSTÍVEL

QUANTIDADE

Em uma floresta existe grande quantidade de material combustível em potencial. O material morto é, geralmente, o principal responsável pela propagação do incêndio. Chama-se de quantidade total à toda matéria orgânica combustível existente no piso da floresta e a sua queima total só ocorre em incêndios excepcionalmente violentos. Chama-se de quantidade disponível a parte ou porção do material combustível consumida pelo fogo no incêndio e que varia de 70 a 80% do material com diâmetro inferior a 2,5 cm. 

TIPO DE MATERIAL

O material florestal combustível presente na floresta, classifica-se em:

perigoso = pequenos galhos (com diâmetro inferior a 1 cm), folhas, líquens, musgos e gramíneas, todos em estado seco. Produzem muita chama e muito calor.

semi-perigoso = galhos com diâmetro superior a 1 cm, troncos caídos, tocos e humus. Embora de ignição mais lenta, dão intenso calor e podem manter combustão latente e reiniciar incêndios tidos como controlados.

verdes = vegetação viva existente na floresta. Devido ao alto teor de umidade, são às vezes considerados “não inflamáveis”. O calor desenvolvido pela combustão dos outros materiais entretanto, pode secar esse material “verde”, tornando-o assim inflamável como os demais.

ARRANJO DO MATERIAL

Não havendo continuidade de combustível, o fogo tem dificuldade de se propagar.

A compactação do material verde é inversamente proporcional à propagação do fogo. Isto é, quanto mais compactado (menor for o espaçamento entre as árvores) estiver o material, mais difícil será a combustão. Isso se explica pela maior umidade relativa, maior transpiração, menor evaporação (e, consequentemente, maior umidade do solo), menor insolação e menos espaço para o ar ou vento circularem no interior da massa vegetal. 

2 – UMIDADE DO MATERIAL

A umidade do material combustível inibe a ignição, pois grande quantidade de calor é requerida para elevar a temperatura da água até o ponto de evaporação.

A umidade do material depositado no piso das florestas, em geral, é superior a 2% mas pode exceder a 200%. A umidade presente na vegetação viva varia, geralmente, entre 75 e 150% do peso seco.

Experiências tem demonstrado que a probabilidade de ignição é praticamente nula, para a maioria dos materiais combustíveis, quando o teor de umidade está entre 25 e 30%. Esse limite é denominado “umidade de extinção”. 

3 – CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

 A temperatura do ar, a umidade relativa e o vento são os principais componentes do clima que interferem nos incêndios florestais. 

TEMPERATURA DO AR

 Influi na temperatura de ignição (260 a 400 graus Centígrados), afetando diretamente o grau de inflamabilidade dos combustíveis florestais. A madeira seca entra em combustão à temperatura aproximada de 285 graus Centígrados. 

UMIDADE RELATIVA DO AR

 Varia inversamente à temperatura do ar. Existe uma troca contínua de vapor d’água entre a atmosfera e o material (combustível) depositado no piso da floresta. O material seco absorve água de um ambiente úmido e libera vapor d’água quando o ar está seco. Durante os períodos extremamente secos, a baixa umidade pode inclusive afetar o conteúdo de umidade do material verde.

A umidade relativa do ar é um elemento preponderante na determinação do grau de dificuldade no combate ao incêndio florestal.

Quando a umidade relativa do ar desce ao nível de 30%, torna-se extremamente difícil combater o incêndio.

4 – VENTO

 O vento é um dos fatores climáticos mais importantes na propagação de um incêndio florestal. Após iniciado o fogo, o vento ajuda na propagação, transportando calor e fagulhas e inclinando as chamas para áreas ainda não atingidas pelo fogo. No incêndio aéreo ou de copa, ele transporta o calor e as chamas de árvore em árvore.

O vento ativa a combustão, pelo fornecimento contínuo de oxigênio do ar atmosférico. Aumenta a evaporação, secando o material combustível, que vai realimentar o incêndio. 

5 – TOPOGRAFIA

 A influência da topografia do terreno na velocidade de propagação do incêndio florestal é tão marcante, que este parâmetro sempre foi considerado um importante fator no comportamento do fogo.

Um incêndio se propagando em um acentuado aclive, se assemelha a um incêndio se propagando no plano, sob um forte vento.

Estudos experimentais têm demonstrado que a velocidade de propagação do fogo em eucaliptos, dobra em um aclive de 10 graus e aumenta 4 vezes em um aclive de 20 graus. Ou, aproximadamente 158 a 198 m/h nos aclives contra 20 a 30 m/h nos declives. 

6 – TIPO DE FLORESTA

Uma floresta aberta, rala, com grande espaçamento entre as árvores, permite a penetração mais livre dos raios solares e do vento, provocando um aumento da temperatura e da taxa de evaporação, contribuindo assim para um maior risco de incêndio. A menor transpiração da massa florestal, por sua vez, proporciona um menor aumento na umidade relativa do ar.

As espécies florestais também influem de maneira específica na propagação dos incêndios.

Um povoamento puro de coníferas, por exemplo, pelas características de inflamabilidade inerente à espécie, apresenta um risco potencial de destruição pelo fogo maior que um povoamento de folhosas. Em um povoamento de Araucaria angustifolia o fogo se propaga com muito mais rapidez e intensidade do que em outro de Eucalyptus sp.

 Normalmente os povoamentos artificiais estão mais sujeitos aos incêndios florestais, do que as florestas naturais não devastadas.

3- O que é RISCO e dentro do Fator Risco, falaremos do Risco de incêndio, ponto de Fulgor,  Poder Calorífico, Combustível e Comburente.

A linguagem do risco de incêndio pode ser uma forma de discutir o desempenho face ao fogo diretamente e de forma global

A Fire Protection Research Foundation, através das NFPA  é referência na segurança global contra incêndios elétricos e de construções. Tomamos as suas formatações como exemplo, pois uma das características mais notáveis ​​do processo de desenvolvimento de normas da NFPA é que ele é um processo completo, aberto e baseado em consenso e, para nós. É isso que veria ocorrer no caso da análise de riscos e da prevenção de incêndios em florestas.

O que é fogo – Fogo é um processo químico de transformação. É o resultado de uma reação química que desprende luz e calor devido à combustão de materiais diversos.

O que é necessário para que haja fogo?

O triângulo do fogo é a representação dos três elementos necessários para iniciar uma combustão. Esses elementos são o combustível que fornece energia para a queima, comburente que é a substância que reage quimicamente com o combustível e calor que é necessário para iniciar a reação entre combustível e comburente.

4- FINALIZANDO  –  FLORESTA “PEGA FOGO” ?

Qual o risco de uma floresta pegar fogo?

Como sempre, nossa resposta é DEPENDE!

Florestas onde as árvores são mais secas e a umidade relativa do ar é baixa como o Estado da Califórnia, tem maiores RISCOS de incêndio.

Na floresta Amazônica, por exemplo, esse risco seria quase zero.

Vamos citar o caso das florestas da Califórnia.

Em 2018, sabemos que o Estado da Califórnia teve dois grandes incêndios: o Camp, no norte, e o Woolsey, na região metropolitana de Los Angeles. Embora já seja considerado o pior da história da Califórnia, o fato de haver locais pegando fogo não é nenhuma surpresa para os moradores do Estado. Os incêndios ocorrem pois o Estado da Califórnia se utilizam de queimadas que, infelizmente, as vezes, se transformam em incêndios. As queimadas praticamente fazem parte do ecossistema local: em parques como o Parque Nacional das Sequoias, por exemplo, eles são cuidadosamente controlados para permitir que novas árvores cresçam, e isso porque  as sementes dependem do calor para florescer. É uma característica local.

Por que acontecem os incêndios se as queimadas são controladas? Porque, como como se sabe, incêndio é um acidente!  

Os ventos Santa Ana
A maioria dos incêndios tem alguma relação com os ventos Santa Ana, sejam eles a causa ou o “empurrãozinho” que faz o fogo se alastrar. Trata-se de ventos extremamente secos, quentes e fortes, que surgem de massas de ar frio e seco na região do deserto conhecida como Grande Bacia, separada da costa pela Serra Nevada. O fenômeno ocorre principalmente no outono e cria a condição ideal para fogos: a umidade relativa em geral fica abaixo de dois dígitos e basta uma faísca para a vegetação — que está ressecada — pegar fogo.

A faísca inicial costuma ser causada por fatores humanos, como o escapamento ainda quente de um carro estacionado na grama, uma bituca de cigarro, ou fios de eletricidade derrubados pelos fortes ventos. E são eles, depois, que carregam as chamas que se espalham de forma rápida. Um estudo do Instituto de Pesquisa da Michigan Tech concluiu que incêndios que ocorrem em dias de ventos Santa Ana afetam áreas mais de duas vezes maiores. O período de duração do fenômeno vai de horas a dias. Imaginamos que não devam ser feitas queimadas nesses dias.

Por que tem ficado pior
Mas, se o fenômeno é bem conhecido, por que incêndios de proporções tão grandes não só continuam acontecendo, como parecem ter piorado? Há muitas teorias  e possíveis explicações (não temos nenhuma opinião técnica a respeito, apenas, retransmitimos). A mais frequente é a das mudanças climáticas alterando demais a umidade da região. Com temperaturas cada vez mais altas e menos chuvas (a Califórnia sempre teve problemas de falta de água, mas recentemente também passou por uma das maiores secas da história), a vegetação fica ainda mais ressecada e propensa a pegar fogo. E mesmo se chover, o calor excessivo não ajuda: significa que mais vegetação vai crescer e depois ressecar, criando ainda mais combustível para as queimadas.

Concluindo: A floresta Amazônica, tem baixíssimo risco de incêndio nas áreas que estão íntegras….sem desmatamento….

Célia Wada

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