Este artigo foi escrito de forma bastante simples para que todos aquele que se interessem pelo assunto possam compreender, independente de ser um profissional da saúde. Será explicado os mecanismos e os moderadores de forma que o leitor possa conseguir entender o processo de formação, estoque e eliminação. A linguagem utilizada é simples, apesar de alguns termos técnicos mais “direfentes” mas, de muita importância para o entendimento do processo e poder chegar a “raiz” da patologia.
Objetivo e finalidade do artigo:
A objetivo deste artigo e dar uma visão ampla do mecanismo de atividade do FERRO.
A finalidade do artigo é consciencializar o profissional e do leitor, da importância de se conhecer a raiz da patologia.
Algumas vezes, explicações são repetidas para poder esclarecer e exemplificar melhor os mecanismos de absorção e tudo isso, com a finalidade de fazer com que a verdadeira RAIZ do problema seja encontrada e, SOLUCIONADA.
Falta de ferro? Anemia? alguma órgão em desequilóbrio? É preciso entender qual a raiz.
Um p
erfeito sincronismo entre absorção, utilização e estoque de ferro é essencial para a manutenção do equilíbrio desse metal no organismo. Alterações nesses processos podem levar tanto à deficiência como ao seu acúmulo. As duas situações apresentam repercussões clínicas importantes para o indivíduo.
foto – fonte – https://www.kantesti.net/pt/estudos-sobre-ferro-tibc-guia-de-saturacao-de-ferro/
Ex:
A deficiência de ferro acarreta conseqüências para todo o organismo, sendo a anemia a manifestação mais relevante e conhecida.
O acúmulo ou excesso de ferro é extremamente nocivo para os tecidos, uma vez que o ferro livre promove a síntese de espécies reativas de oxigênio que são tóxicas e lesam proteínas, lípides e DNA.
O Ferro tem uma homeostasia própria no organismo ou seja, a quantidade de ferro ativa no organismo é regulada automaticamente pela necessidade do organismo.
Este artigo vai mostrar:
– para que serve o ferro, onde ele atua, quais os problemas da falta e do excesso
– a cinética do ferro descrevendo as proteínas e mediadores nela envolvidos
– a regulação intracelular e sistêmica do ferro que visa a manutenção de uma quantidade ótima de ferro para o metabolismo das células e, em especial, para uma perfeita hematopoiese
– os marcadores utilizados para diagnosticar a raiz da patologia
Muitos são os fatores que regulam a quantidade de ferro ativa no organismo. Antes de entrar no assunto é preciso salientar que:
O que é a dosagem de Ferro sérico:
É a quantidade de ferro circulando no sangue naquele momento.
A dosagem laboratorial do ferro sérico não mede o ferro guardado nos órgãos, mas o que está em trânsito para formar glóbulos vermelhos e ajudar no trabalho dos músculos.
Para entendimento da homeostasia do ferro, vários ítens devem ser esclarecidos pois tudo é parte de uma engrenagem.
Ferro serico baixo? Anemia? Que tipo de anemia? Qualquer que seja a “falha” o que é preciso determinar é…ONDE É A RAIZ da falha! Entendendo todos os mecanismos, descobre-se a raiz!
Temas a serem apresentados e entendidos:
1- Hemácias:
2- Ferro:
3- Marcadores, mediadores e dosagens complementares:
– Transferrina: capacidade do organismo de transportar o ferro
– Ferritina: reserva de ferro armazenada no organismo
– TIBC – Capacidade de ligação do ferro
– CLF – Capacidade latente de ligação do ferro
– ELHB – Eletroforese de Hemoglobina / ELHBC – Eletroforese de Hemoglobina com confirmação por HPLC
– HPTO – Haptoglobina – “Faxineira” da hemólise
– HEPCIDINA – Regulador da homeostase sistêmica
– FERROPORTINA – proteína exportadora de ferro que contribui para a homeostase do ferro a nível sistêmico
– EPO – Atuação da Eritropoietina
4- Resumo de exames complementares:
https://gde.diagnosticosdobrasil.com.br
1- HEMÁCIAS:
Células cuja função básica é o transporte e a troca gasosa – oxigênio e dióxido de carbono entre os pulmões e os tecidos e auxiliam na regulação do pH atuando diretamente como um sistema tampão químico imediato, impulsionado pela ação da enzima anidrase carbônica e pela capacidade da hemoglobina de se ligar a íons de hidrogênio (H+).
As hemácias, em sua membrana, possuem os antígenos que determinam a tipagem sanguínea.
Funções da hemácia
Como dito acima, a principal função fisiológica é transportar gases de oxigênio (O²) e carbônico (CO²) do pulmão para os tecidos e vice-versa, mantendo a boa perfusão tecidual e mantendo o equilíbrio ácido/base sistêmico.
As principais funções são resumidas abaixo:
– Transporte de gases e nutrientes para os tecidos.
– Sistema tampão redox. A reação de autoxidação da Hb é a fonte mais abundante de espécies reativas de oxigênio nas hemácias.
– Modulação do metabolismo do óxido nítrico. Acredita-se que sob condições de diminuição da saturação de oxigênio, as hemácias demonstraram induzir vasodilatação de faixas de vasos por meio da exportação de bioatividade de NO influenciando na regulação do tônus e integridade vascular.
– Viscosidade sanguínea. Por meio de sua concentração (hematócrito), define criticamente a viscosidade e a reologia do sangue.
– Controle do tônus vascular e da função cardíaca
– Propriedades intrínsecas das hemácias e a reologia geral do sangue contribuem para a hemodinâmica vascular sistêmica.
O Ferro está ligado intimamente com as hemácias e aqui será apresentada como é essa ligação.
Função da hemácia e função do Ferro.
Hematopoiese
O corpo humano perde cerca de 1% das hemácias por dia devido ao desgaste natural. Para manter a oxigenação adequada dos tecidos, o organismo precisa substituir essas células constantemente
A Hematopoiese – também denominada hemopoese — é o processo fisiológico responsável pela produção, diferenciação e maturação das células sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas) a partir de células-tronco hematopoiéticas pluripotentes através de mitoses sucessivas. Essa dinâmica celular complexa ocorre, predominantemente, na medula óssea, mas pode envolver outros órgãos em situações específicas. O processo de hematopoiese depende intimamente do microambiente da medula óssea, denominado nicho hematopoiético. Este é composto por uma matriz tridimensional de células estromais, vasos sinusoides e componentes da matriz extracelular.
O processo de hematopoiese ocorre em órgãos hematopoiéticos que variam de acordo com a fase do desenvolvimento do indivíduo. No início do desenvolvimento dos embriões, elas são produzidas pelo folheto embrionário mesoderma. (Hematopoiese: entenda o processo de formação das células sanguíneas https://sanarmed.com/hematopoiese/ )
FOTO – FONTE: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hematopoiesis_%28human%29_diagram_pt.svg
Entre e veja a apresentaçaõ completa do processo de HEMATOPOIESE
Constituição do sangue
De maneira geral, o sangue humano é constituído por três linhagens celulares principais: eritrócitos (hemácias), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas (trombócitos). Embora essas células desempenhem funções distintas — como o transporte de oxigênio, defesa imunológica e hemostasia, respectivamente — todas elas compartilham uma origem comum: a célula-tronco hematopoiética pluripotente, também chamada de hematopoietic stem cell.
Formação das hemácias – Eritropoiese
Formação de hemácias – As hemácias também são chamadas de eritrócitos. São células bicôncavas, anucleadas e sem nenhuma organela que contêm hemoglobina. Sua função é de transporte e troca gasosa (oxigênio e dióxido de carbono) entre os pulmões e os tecidos. Essas células são produzidas na medula óssea vermelha através de um processo chamado de eritropoiese. Durante esse processo, precursores eritroides de células tronco sofrem uma série de modificações morfológicas até se tornarem em hemácias maduras. Alguns substratos são fatores importantes na sua maturação, incluindo ferro, vitamina B12 e o ácido fólico.
Por estímulo da glicoproteína eritropoietina, ocorre a diferenciação de hemocitoblastos (células multipotentes) a formar mais eritroblastos, que sofrem maturação por mitose. em até cinco dias os eritroblastos enchem-se de hemoglobina e as mitocôndrias desaparecem. Alcançam a forma de reticulócitos, glóbulos vermelhos imaturos, e alcançam a forma de hemácia madura em até 8 dias. Leia detalhes – Mecanismo de Controle da ERITROPOIESE.
As hemácias não possuem núcleos celulares (são anucleadas) e nenhuma outra organela intracelular, pois elas são perdidas durante a eritropoiese. As duas únicas estruturas deixadas são o citoplasma e a membrana celular que a reveste. O citoplasma das hemácias é preenchido por hemoglobina, uma proteína que se liga reversivelmente ao oxigênio e ao dióxido de carbono.
A hemoglobina é um tetrâmero formado por quatro subunidades de polipeptídeos chamadas de cadeias de globina.
Existem quatro tipos de cadeias de globinas (α, β, γ e δ) que podem dar origem a três classes principais de hemoglobina: HbA, HbA2 e HbF. A forma mais prevalente em adultos é a HbA. Cada subunidade de globina possui um átomo de ferro ligado a uma molécula heme. Os grupos hemo consistem em uma molécula de protoporfirina IX complejada con un ion Fe2+.
O ferro é que se liga aos gases, de forma que cada hemoglobina pode transportar até quatro moléculas de oxigênio ou gás carbônico.
O heme é sintetizado em todas as células nucleadas, sendo que a maior quantidade é produzida pelo tecido eritroide. Sua síntese é controlada por mecanismos enzimáticos e de degradação, e esse controle tem que ser rigoroso, uma vez que o excesso de ferro irá reagir com o oxigênio gerando radicais hidroxil e ânions superóxidos (reação de Fenton). A ação desses radicais sobre proteínas, lípides e DNA causa graves lesões celulares e teciduais.
O heme é constituído por um anel tetrapirrólico com um íon central de ferro. Parte de sua síntese ocorre nas mitocôndrias e parte no citosol. Diversas enzimas estão envolvidas na formação do heme, conforme esquematizado na figura ao lado. A degradação do heme vai gerar um tetrapirrólico linear, que é a biliverdina, que vai formar a bilirrubina, a ser excretada do fígado pela bile. Todo esse processo pode ser minuscuisamente detalhado no link – Fisiologia e metabolismo do ferro
Forma das hemácias
As hemácias normais são discos bicôncavas e diferem da maioria das células eucarióticas porque sua forma é criada pela geometria de sua membrana, em vez de quaisquer estruturas internas ou externas. Isso ocorre porque as hemácias são desprovidos de núcleos, ribossomos, mitocôndrias e outras organelas, que são importantes em outros tipos de células para desempenhar funções específicas críticas para a sobrevivência celular.
Essa conformação da hemácia é importante pois a geometria da membrana é alterada para permitir uma mudança na forma, podendo sofrer grandes extensões lineares (de até 230% de seu diâmetro original), mantendo uma área de superfície constante.
A capacidade da hemácia de sofrer extensa deformação é essencial tanto para sua função quanto para sua sobrevivência, pois é necessário para os eritrócitos atravessarem pequenos capilares e os sinusóides esplênicos (tão pequenos quanto 1 a 2 mícrons) que são menores que o diâmetro dos eritrócitos (7 a 8 mícrons).
NOTA: A anemia falciforme é marcada por hemácias em foices, que diminui sua capacidade de deformidade, ocasionando aprisionamento esplênico.
Ciclo de vida das hemácias
O organismo renova diariamente suas células pelo mecanismo da apoptose.
As hemácias circulam no sangue por cerca de100 a 120 dias e existem cerca de 5,2 milhões de glóbulos vermelhos por milímetro cúbico de sangue no ser humano adulto.
Após 120 dias, hemácias velhas são recicladas pelos macrófagos do baço, do fígado, da medula óssea e dos linfonodos (sistema reticuloendotelial).
Após um tempo circulando, a membrana celular da hemácia se danifica.
O rompimento da membrana celular das hemácias (glóbulos vermelhos) é chamado de hemólise.
A destruição fisiológica das hemácias envelhecidas pelo baço (e pelo fígado) chama-se eriptose ou hemocateres. A destruição feita especificamente por células de defesa (macrófagos) que reconhecem essa alteração e as fagocitam em órgãos como o baço, ela também é chamada de hemólise extravascular ou eritrofagocitose. Em um organismo saudável a eriptose está em equilíbrio com a eritropoiese, garantindo uma quantidade fisiológica de hemácias.
As cadeias de globina e os grupos heme que contêm ferro são os dois principais componentes da hemoglobina dentro da hemácia. Uma vez fagocitados pelos macrófagos, esses componentes são separados. As cadeias polipeptídicas de globina são degradadas em aminoácidos, enquanto o ferro é extraído do grupo heme. A molécula de ferro é então transferida para a medula óssea para ser reutilizada em novos ciclos de eritropoiese, enquanto o grupo heme é metabolizado em bilirrubina. Após modificações adicionais no fígado e no intestino, a bilirrubina é excretada na urina e nas fezes.
O ciclo de vida das hemácias envolve três fases: a produção (eritropoiese), a maturação e a destruição. (HSC).
Para produzir hemácia, é preciso ferro / Quando hemácia é destruida, ela elimina ferro
A avaliação laboratorial da eritropoese é importantíssima para diagnosticar e monitorar várias patologias relacionadas a deficiência de hemácias.
A contagem de eritroblastos e reticulócitos no sangue periférico é o principal parâmetro de alterações na fisiologia normal da eritropoiese.
Mais detalhes odem ser estudados no artigo – Fisiologia das hemácias: eritropoese, eritropoetina e fatores nutricionais.
Mais detalhes das hemácias em – RDW – Interpretação do Eritrograma – Largura de Distribuição de Células Vermelhas.
2- FERRO:
Metabolismo do ferro: uma revisão sobre os principais mecanismos envolvidos em sua homeostase https://www.scielo.br/j/rbhh/a/HLcTcgqkgV7VmpRWyWTTVXw/?lang=pt
Metabolismo do ferro: fisiopatologia e farmacologia https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7611894/
Apresentação do mineral
O ferro é um MINERAL essencial para a saúde humana. É vital para a homeostase celular. É essencial para o transporte de oxigênio, para a síntese de DNA e metabolismo energético. É um cofator importante para enzimas da cadeia respiratória mitocondrial e na fixação do nitrogênio. Nos mamíferos é utilizado principalmente na síntese da hemoglobina (Hb) nos eritroblastos, da mioglobina nos músculos e dos citocromos no fígado. Um indivíduo adulto tem no seu organismo de 4 a 5 g de ferro, sendo que cerca de 2,5 g na forma de Hb.
Em condições fisiológicas, o ferro ocorre em diferentes estados oxidativos, entre os quais oscila. O ferro férrico (III) é estável, mas pouco solúvel em água. Por outro lado, o ferro férrico liga-se a proteínas que atuam como ligantes, como a transferrina, para superar problemas de solubilidade e garantir boa biodisponibilidade. Dessa forma, o ferro férrico pode ser transportado com segurança em um estado redox-inativo. Já o ferro ferroso (II) é solúvel em água e sua alta reatividade contribui para seu potencial destrutivo. Quando presente em excesso, o ferro ferroso leva à geração de espécies reativas de oxigênio (ROS) por meio da chamada reação de Fenton, que eventualmente resulta em danos celulares, morte celular e falência de órgãos, afetando principalmente o fígado, o coração, o pâncreas, a tireoide e o sistema nervoso central. Resumidamente se conclui que, mesmo sendo necessário, em doses altas é prejudicial.
IMPORTANTE: Os danos induzidos pelo ferro são agravados pelo fato de não haver uma via fisiológica de excreção do ferro, além da perda de sangue e (em menor grau) da descamação celular. Para diminuir o potencial destrutivo do ferro e, ao mesmo tempo, permitir a exploração de seu papel essencial na função proteica, a captação, distribuição e utilização do ferro precisam ser rigorosamente reguladas. A regulação do ferro depende de um pequeno número de componentes cruciais, como a ferroportina (Fpn) e a hepcidina . Modificações genéticas nesses componentes-chave resultam na desregulação da homeostase do ferro, o que leva a condições patológicas graves que requerem cuidados médicos intensivos, como a hemocromatose hereditária (HH) ou a beta-talassemia. (tudo será detalhado a frente)
Para avaliar a ‘SAÚDE FERRICA” é necessário entender o metabolismo do ferro. É preciso entender que a saúde férrica é um equilíbrio delicado, e sua avaliação depende da interpretação conjunta de múltiplos marcadores ou seja, entender os vários agentes envolvidos no processo.
Entender o que realmente está ocorrendo em um resultado de Fe sérico baixo ou alto e qual a sua causa é o objetivo deste artigo.
Como já mencionado, a dosagem de ferro sérico mede apenas o mineral circulante no sangue naquele momento e esse ferro circulante é preso a uma proteína chamada transferrina. Como ele varia muito ao longo do dia, sua avaliação exige análise conjunta com outros exames de sangue para entender se há falta ou excesso real no corpo e, principalmente, qual a causa dessa falta ou desse excesso.
Um perfeito sincronismo entre absorção, utilização e estoque de ferro é essencial para a manutenção do equilíbrio desse metal no organismo.
Formas do Ferro no organismo:
Ferro heme (Fe 2+) (ferroso)
Ferro não-heme (Fe 3+) (férrico)
Em condições fisiológicas, o ferro ocorre em diferentes estados oxidativos, entre os quais oscila. O ferro férrico (III) é estável, mas pouco solúvel em água. Por outro lado, o ferro férrico liga-se a proteínas que atuam como ligantes, como a transferrina, para superar problemas de solubilidade e garantir boa biodisponibilidade. Dessa forma, o ferro férrico pode ser transportado com segurança em um estado redox-inativo. Já o ferro ferroso (II) é solúvel em água e sua alta reatividade contribui para seu potencial destrutivo. Quando presente em excesso, o ferro ferroso leva à geração de espécies reativas de oxigênio (ROS) por meio da chamada reação de Fenton, que eventualmente resulta em danos celulares, morte celular e falência de órgãos, afetando principalmente o fígado, o coração, o pâncreas, a tireoide e o sistema nervoso central.
Resumindo: A principal diferença entre compostos ferrosos e férricos é a carga elétrica do íon ferro presente em sua estrutura. Os compostos ferrosos possuem um íon de ferro com carga elétrica positiva, enquanto os compostos férricos possuem um íon de ferro com carga elétrica positiva maior.
Importante para a utilização:
- Os compostos ferrosos são geralmente solúveis em água, enquanto os compostos férricos são insolúveis em água.
- Os compostos ferrosos geralmente têm uma cor verde pálido ou amarelo claro, enquanto os compostos ferrosos são marrom-avermelhados.
Obtenção do ferro pelo organismo:
O ferro utilizado pelo organismo é obtido de duas fontes principais: da alimentação e da reciclagem de hemácias senescentes ou seja, o ferro presente no nosso organismo vem da nossa alimentação diária e de um eficiente sistema interno de reciclagem de células sanguíneas. A maior parte do ferro utilizado no organismo é proveniente do sistema de reciclagem de hemácias – (hemoglobina) (*), enquanto uma outra parcela menor é proveniente da alimentação.
De uma forma ou de outra, o Ferro precisa ser absorvido.
Leitura complementar – Fisiologia e metabolismo do ferro
FONTE: https://www.scielo.br/j/rbhh/a/DBW7X6wnFGpbLPmr6m63sGM/?format=html&lang=pt&ilang=pt_BR
**ALIMENTAÇÃO – Obtenção de ferro pela alimentação através da Absorção Intestinal
São absorvidos por dia pelo epitélio duodenal, de 1 mg a 2 mg de ferro, que apresenta estruturas vilosas para ampliar a superfície de absorção. Os precursores dos enterócitos encontram-se nas criptas, nas bases das vilosidades e, à medida que se diferenciam, migram para o ápice, onde têm uma vida média de um a dois dias quando, então, são naturalmente perdidos pela descamação do epitélio.
Uma dieta normal contém de 13 a 18 mg de ferro, dos quais somente 1 a 2 mg serão absorvidos na forma inorgânica ou na forma heme (Ferro heme (Fe 2+) =ferroso). O ferro da dieta é encontrado sob duas formas: orgânica e inorgânica. Uma dieta normal contem de 13 mg a 18 mg de ferro, dos quais somente 1 mg a 2 mg serão absorvidos. A aquisição da forma heme corresponde a 1/3 do total e é proveniente da quebra da Hb e mioglobina contidas na carne vermelha. Ovos e laticínios fornecem menor quantidade de ferro heme, que é mais bem absorvido do que a forma inorgânica.5 O ferro inorgânico ou não heme é proveniente de vegetais e grãos e é encontrado principalmente na forma férrica (Fe+++ ).
Alguns fatores favorecem a absorção intestinal, como a acidez e a presença de agentes solubilizantes, como açúcares.
A quantidade de ferro absorvida é regulada pela necessidade do organismo. Em situações em que há falta de ferro ou aumento da necessidade (gravidez, puberdade ou hemólise, por exemplo), há uma maior absorção de ferro. Para responder a essa maior demanda, há uma maior expressão das proteínas envolvidas nesse processo, como a proteína transportadora de metal divalente (DMT-1) e a ferroportina (FPT).
A maior parte do ferro inorgânico está presente na forma Fe3+ e é fornecida por vegetais e cereais. A DMT-1, também conhecida como Nramp2, é composta por 12 segmentos transmembrana e, além do ferro, transporta Mn2+, Co2+, Cu2+ e Zn2+. Em camundongos foi demonstrado que a substituição de uma glicina por arginina (G185R) no 4º domínio transmembrana da DMT-1 está associada a um grave defeito na absorção do ferro intestinal, resultando em anemia microcítica. Para exercer sua função, a DMT-1 necessita que o ferro tenha sido convertido de Fe3+ para Fe2+, o que é mediado pela redutase citocromo b duodenal ou Dcytb.
A internalização do ferro heme da dieta é feita pela proteína transportadora do heme-1 , (HCP1) recentemente descrita e posicionada na membrana apical das células do duodeno.
A HCP1 também é expressa em outros locais como o fígado e rins e sua regulação é feita de acordo com o nível de ferro intracelular: havendo deficiência de ferro, a HCP1 se redistribui do citoplasma para a membrana plasmática das células duodenais, enquanto em condições de excesso de ferro a redistribuição se dá a partir da borda em escova da célula para o seu citoplasma. Esse mecanismo regulador pós-tradução da proteína é interessante porque, de um lado, aproveita o heme da dieta antes que ele seja eliminado pelo peristaltismo do intestino e, no outro extremo, evita a captação desnecessária de ferro e o seu provável acúmulo. A hipóxia também induz a síntese da HCP1, facilitando a captação de heme quando há maior necessidade do organismo.
No interior da célula, o ferro é liberado da protoporfirina pela heme oxigenase. Após o ferro ser liberado, fará parte do mesmo pool de ferro não heme, sendo armazenado na forma de ferritina ou liberado do enterócito para o sangue.
Como a transferrina sérica tem grande afinidade pelo ferro na forma férrica, o Fe2+ externalizado pela FPT deve ser oxidado para Fe3+. A hefaestina, oxidase semelhante à ceruloplasmina sérica, é responsável por essa conversão. Mutações que inativam a FPT ou a hefaestina levam ao prejuízo na absorção e acúmulo de ferro no enterócito e nos macrófagos.
A proteína da hemocromatose (HFE) está fortemente relacionada com a regulação da absorção intestinal do ferro. Interage com o receptor da transferrina (TfR) e detecta o seu grau de saturação, sinalizando para o enterócito se há maior ou menor necessidade de absorção do ferro na luz intestinal.
Indivíduos com mutação no gene da HFE apresentam hemocromatose, caracterizada pelo acúmulo de ferro no organismo decorrente da contínua absorção do ferro pelo intestino.
O principal exportador do ferro da célula para o plasma é a FPT, também conhecida como IREG18.
Fatores que aumentam ou diminuem a absorção de ferro
Existem fatores dietéticos que podem influenciar na absorção de ferro. O ascorbato e o citrato aumentam a absorção de ferro, essas substâncias atuam como quelantes auxiliando na solubilização do metal no duodeno. Dessa forma o ferro é prontamente transferido desses compostos para as células de revestimento da mucosa. Já o ácido ascórbico supera o efeito negativo na absorção do ferro em todos os inibidores, onde incluem os fitatos, polifenóis, cálcio e proteínas em produtos lácteos, aumentando a sua absorção de ferro nativo e fortificado (Leite et al., 2019).
Nas frutas e vegetais, o efeito intensificador do ácido ascórbico é muitas vezes anulado pelo efeito inibidor dos polifenóis, inclusão de vegetais contendo o mesmo, o seu cozimento, processamento industrial e o armazenamento degradam o ácido ascórbico e removem sua ação ao aumentar a absorção de ferro (Alves et al., 2021).
Resumo: O ferro é absorvido pelos enterócitos no duodeno. O ferro não heme, na forma férrica, é reduzido pelo citocromo b duodenal (DCYTB) a ferro ferroso, que pode ser transportado para as células pelo transportador de íons metálicos divalentes 1 (DMT1). O ferro ferroso é liberado dos enterócitos pela ferroportina (Fpn) e oxidado pela hefaestina ligada à membrana, pela ferroxidase ou pela ceruloplasmina (Cp). Em seu estado férrico, o ferro pode ser carregado na transferrina, o que permite seu transporte por todo o corpo até locais com alta demanda de ferro, como a medula óssea, onde ocorre a produção de eritrócitos.
Obtenção de ferro na alientação:
Ferro heme (Fe 2+)
- Fontes alimentares
O ferro heme (Fe 2+), também chamado de ferro ferroso ou orgânico, é encontrado apenas em alimentos de origem animal, como carnes, aves, e frutos do mar, a partir da hemoglobina e da mioglobina provenientes desses produtos. As carnes vermelhas são as melhores fontes desse elemento, sendo que a carne bovina possui 50% do seu teor de ferro na forma heme.Ferro não-heme (Fe 3+)
- Absorção e biodisponibilidade
Em sua conformação estrutural, o ferro heme está inserido em um anel porfirínico, que o deixa protegido do ambiente externo. Assim, antes de sua captação pela mucosa, ele pouco interage com fatores dietéticos inibidores, e por isso sua absorção quase não é afetada pela composição da refeição.
Além disso, um fator que beneficia a biodisponibilidade do ferro heme é a sua capacidade de formar complexos solúveis com outros componentes da dieta no intestino, facilitando a sua absorção. Ainda, o baixo pH do estômago, associado a enzimas proteolíticas do estômago e intestino delgado, auxiliam o processo de liberação do Fe 2+ nos enterócitos.
Apesar da falta de consenso, é aceito que o ferro heme tenha biodisponibilidade de 15% a 35%. Em casos de deficiência, pode chegar ao valor de 40%.
- Fatores inibidores de absorção
O cálcio é um dos únicos fatores inibidores da absorção do ferro heme. Para diminuir essa interferência, recomenda-se evitar a ingestão de alimentos ricos em cálcio (como leite e queijos) e alimentos ricos em ferro na mesma refeição.
Além disso, quando cozidos por altas temperaturas por muito tempo, o ferro heme dos alimentos podem ser convertidos em ferro não-heme, de biodisponibilidade mais baixa.
- Riscos de excesso
Apesar da alta biodisponibilidade do ferro heme e sua importância para o organismo, o excesso de consumo deste micronutriente deve ser evitado. Ele pode ser prejudicial aos tecidos, por catalisar a conversão de peróxidos de hidrogênio em radicais livres, que atacam membranas celulares, proteínas e DNA.
Desse modo, alguns estudos associam a ingestão de ferro heme ao risco aumentado de câncer e doenças cardiovasculares.
Ferro não-heme (Fe 3+)
- Fontes alimentares
O ferro não-heme (Fe 3+), também chamado de ferro férrico ou inorgânico, é encontrado tanto em alimentos de origem vegetal, quanto em alimentos de origem animal (uma vez que os animais consomem alimentos vegetais com ferro não-heme). Alimentos fortificados também são ricos neste nutriente.
Portanto, são exemplos de fontes de ferro não-heme: cereais, grãos, frutas, legumes, farinha de trigo fortificada, carnes, aves e peixes.
- Absorção e biodisponibilidade
Para a sua absorção intestinal, o ferro férrico (Fe 3+) deve ser oxidado a ferro ferroso (Fe 2+). Na forma de Fe 2+, o ferro é então levado pelo transportador de metal divalente 1 (DMT1). Independentemente do tipo de ferro ingerido (heme ou não heme), após a absorção o uso corporal é o mesmo.
Por não se inserir em um complexo porfirínico, o ferro não-heme sofre intensa influência de fatores antinutricionais no seu processo absortivo. Assim, sua biodisponibilidade é mais baixa, variando de 2 a 20%.
- Fatores inibidores de absorção
Como dito anteriormente, a biodisponibilidade do ferro não-heme é altamente influenciada por alguns componentes da dieta, que podem formar complexos insolúveis com o elemento ou disputar pelo mesmo receptor, reduzindo sua absorção.
Os compostos, alimentos ou fatores que reduzem a absorção do ferro não-heme são:
- Fitatos;
- Oxalatos;
- Taninos e outros compostos fenólicos que se ligam ao ferro (presentes em chás, café, cacau, vinhos tintos, certos vegetais e especiarias);
- Cálcio;
- Zinco;
- Cobre;
- Proteína isolada de soja;
- Fosfopeptídeos de caseína (proteínas presentes em ovos, leite e queijos);
- Redução da acidez gástrica;
- Estado inflamatório aumentado.
Recomenda-se que o consumo destes inibidores aconteça apenas 1 ou 2 horas após refeições ricas em ferro não-heme.
- Fatores que melhoram a absorção
Por outro lado, existem também alguns componentes facilitadores da absorção do ferro não-heme. São eles:
- Ácido ascórbico ou vitamina C (o uso de 75 mg aumenta a absorção de ferro de 3 a 4 vezes);
- Aminoácidos sulfurados (encontrados na carne e feijão);
- Ácidos orgânicos (cítrico, málico e tartárico);
- Fruto-oligossacarídeos
- Tratamento térmico (cocção sob pressão, aquecimento de microondas);
- Maltagem (processo de conversão dos grãos em malte)
- Germinação (reduz a concentração de fitatos);
- Alimentos fermentados, como o chucrute (reduzem a concentração de fitatos e favorecem a formação de ácidos orgânicos, formando ligantes solúveis com o ferro e tornando-o mais biodisponível);
- Baixo estoque de ferro (aumenta a absorção de 10 a 15 vezes)
**DEGRADAÇÃO – Reciclagem pelos macrófagos
Como a maior parte do ferro no organismo está associada à molécula de Hb, a fagocitose e degradação de hemácias senescentes representam uma fonte importante de ferro (de 25 a 30 mg/dia). Essa quantidade de ferro reciclado é suficiente para manter a necessidade diária de ferro para a eritropoiese.
Os eritrócitos senescentes são reconhecidos e fagocitados por macrófagos e degradados intracelularmente. O ferro obtido como parte desse processo é secretado, armazenado na ferritina ou utilizado como parte do pool de ferro lábil. A hepcidina, principal reguladora do metabolismo do ferro, é produzida e secretada pelos hepatócitos, onde sua produção é regulada pelos estoques de ferro e pelos níveis de ferro plasmático. A hepcidina se liga à ferroportina (Fpn), iniciando assim sua internalização e degradação por enterócitos, macrófagos e hepatócitos, resultando na redução dos níveis de ferro plasmático. FONTE – Metabolismo do ferro: fisiopatologia e farmacologia.
Estudo complementar – Metabolismo do ferro e avaliação laboratorial
Exame laboratorial: Dosagem de FERRO SÉRICO
3- MARCADORES, MEDIADORES E DOSAGENS COMPLEMENTARES
Serão citados e brevemente detalhados esses parâmetros que são utilizados como “marcadores” na busca da raiz da patologia. Finalizando será feita uma “viagem com as hemácias” com o objetivo de resumir o passo a passo do protocolo investigativo, sempre em busca da raiz.
– Transferrina: capacidade do organismo de transportar o ferro
– Ferritina: reserva de ferro armazenada no organismo
– TIBC – Capacidade de ligação do ferro
– CLF – Capacidade latente de ligação do ferro
– ELHB – Eletroforese de Hemoglobina / ELHBC – Eletroforese de Hemoglobina com confirmação por HPLC
– HPTO – Haptoglobina – “Faxineira” da hemólise
– Hepcidina – Regulador da homeostase sistêmica
– EPO – Dosagem de Eritropoietina
A utilização de painéis dinâmicos para interpretação dos marcadores é uma ferramenta que foi criada para auxiliar a interpretação dos resultados a fim de se verificar a raiz da patologia.
– Transferrina: capacidade do organismo de transportar o ferro
Sobre a Transferrina
A transferrina é uma glicoproteína com cadeia de carboidratos ramificada, com dois sítios para a ligação do íon férrico em sua cadeia polipeptídica produzida principalmente pelo fígado, porém, outros tecidos e órgãos, incluindo o cérebro, também produzem transferrina. Uma das principais fontes de secreção de transferrina no cérebro é o plexo coroide no sistema ventricular.
A transferrina medeia o transporte de ferro do plasma para as células. Cada molécula de transferrina carrega até dois átomos de ferro. Atua como um transportador de ferro, ligando-se a íons de ferro trivalente (Fe³⁺) e formando um complexo que é facilmente reconhecido por receptores específicos nas células. A transferrina ligada ao ferro tem três formas: transferrina monoférrica A/B e transferrina diférrica. Ela se liga a receptores específicos na superfície celular e é internalizada por endocitose. Uma vez dentro da célula, o ferro é liberado e a transferrina sem ferro, também referida como apotransferrina, sofre exocitose para fora da célula, sem ser degradada. A transferrina é conhecida por fornecer ferro para células de forma fisiologicamente segura e eficaz.
Resumindo – uma glicoproteína cuja função é transportar o ferro pelo sangue, levando esse mineral até a medula óssea, onde ele será utilizado na produção das hemácias (eritropoiese) e para as células que necessitam desse mineral para diversas funções biológicas.
Os níveis de transferrina no sangue podem ser avaliados através de exames laboratoriais, sendo um indicador importante usado para verificar o estado do ferro no organismo, PORÉM, precisa ser estudado.
Todas as variações devem ser estudadas para se chegar a raiz da patologia.
Dosagem e cáculos para Transferrina
O Fe entra no organismo transportado pela TRANSFERRINA
A quantidade total de Transferrina é dosada em laboratório.
Esse carreamento do ferro pela Transferrina, pode não ser “efetivo”. A Transferrina pode estar em quantidade correta, mas não estar com a “função” correta.
Capacidade de Ligação do Ferro Total (TIBC) – é feita a medida da quantidade máxima de ferro que o sangue consegue carregar. (será detalhado mais a frente)
Com a quantidade de ferro e a quantidade de transferrina, calcula-se a quantidade de ferro efetiva carregada pela Transferrina dada como o Indice de Saturação da Transferrina.
O índice de saturação da transferrina mostra quanto da transferrina está efetivamente carregada com ferro. Se a quantidade de Transferrina está correta e tem Ferro suficiente e ela não está efetivamente carregada, há algum problema em sua função.
O cálculo da saturação de transferrina (índice IST ou TSAT) é feito dividindo o valor do ferro sérico pela capacidade total de ligação do ferro (TIBC ou CTLF), multiplicando o resultado por 100.
Interpretações dos resultados da Transferrina:
O nível dessa proteína revela, no mínimo, duas coisas: funcionamento do fígado e controle do ferro no organismo.
Entender o que é a transferrina, quando ela sobe ou cai e como interpretar o índice de saturação da transferrina é fundamental para evitar diagnósticos incompletos e atrasos no tratamento.
Valores baixos (abaixo de 15-20%): Podem sugerir falta de ferro no corpo, como na anemia ferropriva ou em quadros inflamatórios crônicos.
Valores altos (acima de 50%): Podem indicar excesso ou sobrecarga de ferro no organismo (como na hemocromatose)
A transferrina é frequentemente utilizada como um marcador na avaliação de diferentes tipos de anemia, especialmente a anemia ferropriva. Nessa condição, a baixa disponibilidade de ferro resulta em uma produção inadequada de hemoglobina, levando a sintomas como fadiga, fraqueza e palidez.
A concentração de transferrina pode aumentar em casos de deficiência de ferro, uma vez que o corpo tenta compensar a baixa disponibilidade de ferro aumentando a produção dessa proteína. Por outro lado, em situações de sobrecarga de ferro, como na hemocromatose, os níveis de transferrina tendem a diminuir, refletindo a saturação excessiva de ferro nos tecidos.
A transferrina também está associada ao sistema imune inato. Encontra-se na mucosa e liga-se ao ferro, criando assim um ambiente com baixo teor de ferro livre que impede a sobrevivência bacteriana num processo chamado retenção de ferro. O nível de transferrina diminui na inflamação.
A transferrina está aumentada na anemia por deficiência de ferro, e isso é evidente pelo aumento da banda beta-1 em pacientes com essa condição.
Transferrina baixa: geralmente não está relacionada à falta de ferro, mas a condições que reduzem sua produção ou alteram o metabolismo proteico.
As causas mais comuns incluem:
- Doenças inflamatórias crônicas
- Infecções
- Doenças hepáticas
- Desnutrição
- Doenças crônicas avançadas
Em muitos casos, a transferrina baixa ocorre junto com ferritina normal ou elevada, o que pode confundir a interpretação sem uma análise clínica adequada.
Transferrina alta: geralmente, a transferrina tende a aumentar quando o organismo percebe que há pouco ferro disponível e tenta compensar produzindo mais proteína transportadora.
As principais causas são:
- Deficiência de ferro
- Anemia ferropriva
- Gravidez
- Uso de anticoncepcionais
- Dieta pobre em ferro
Índice de saturação da transferrina baixo: significa que há pouco ferro disponível para ser transportado, mesmo que a transferrina esteja elevada.
As causas mais comuns incluem:
- Deficiência de ferro
- Anemia ferropriva
- Dieta pobre em ferro
- Perdas sanguíneas crônicas (menstruação intensa, sangramentos digestivos)
- Má absorção intestinal
- Desarranjo estrutural da Transferrina
Exame Laboratorial – Dosagem de TRANSFERRINA
– Ferritina: reserva de ferro armazenada no organismo
Sobre a Ferritina
A ferritina é uma proteína de alto peso molecular que contém ferro e que atua no organismo como um composto armazenador de ferro.
A ferritina é um dos principais marcadores para avaliar os estoques de ferro no organismo.
A função primária da Ferritina é de acumular o ferro intracelular protegendo a célula dos efeitos tóxicos do metal livre constituindo uma reserva de ferro rapidamente mobilizável.
Sua principal função é armazenar o mineral no interior das células e liberá-lo gradualmente conforme as necessidades do organismo — como na produção de hemoglobina, na síntese de DNA e no fortalecimento do sistema imunológico.
A maior parte da Ferritina no organismo encontra-se no fígado e nas células do sistema retículo endotelial do fígado, baço e medula óssea, quantidades menores encontram-se no coração, no pâncreas e nos rins. Pequenas, mas significativas quantidades de Ferritina encontram-se no soro humano.
Diferente do ferro sérico, que indica apenas o ferro momentaneamente circulando no sangue, a medição dessa proteína oferece uma visão mais ampla e precisa sobre as reservas corporais de ferro. Ela é fundamental para diagnosticar tanto deficiências ocultas quanto sobrecargas do mineral.
Foi demonstrado que a molécula de ferritina, quando está completamente saturada, pode conter mais de 20% de seu peso em ferro.
Aproximadamente 25% do ferro no adulto normal está presente em várias formas de armazenamento.
Cerca de 2/3 das reservas de ferro no corpo humano encontram-se na forma de ferritina.
Os depósitos de ferro restantes encontram-se na forma de hemosiderina insolúvel, a qual representa provavelmente uma forma de ferritina denaturada.
A literatura recente sugere que a ferritina proporciona determinações mais sensíveis, específicas e confiáveis para determinar uma deficiência de ferro nos estágios iniciais.
As determinações de ferritina sérica têm demonstrado ser úteis no controle da recuperação dos depósitos férricos em pacientes, nos quais se administra ferro oralmente, e para determinar quando se pode interromper a terapia.
Nos distúrbios inflamatórios crônicos, nas infecções, na doença neoplásica e na insuficiência renal crônica, observa-se um aumento desproporcional dos níveis de ferritina sérica em relação aos depósitos férricos.
Dosagem da Ferritina
A ferritina só é dosada quando está ligada ao ferro. Seu valor normal no sangue varia de 10 a 80 µg /l. Um grama de ferritina pode estocar até 8 mg de ferro. A ferritina é uma proteína de estocagem que sequestra o ferro e pode transformar o ferro bivalente em ferro trivalente ativo. Normalmente aparece em pequenas quantidades no soro. Em adultos sadios, os níveis séricos de ferritina são diretamente relacionados à quantidade de ferro disponível armazenado no corpo e pode ser , em laboratório, com alta precisão.
Interpretações dos resultados da Ferritina
A ferritina é uma proteína de fase aguda, ou seja, ela se eleva em situações de inflamação, mesmo sem excesso real de ferro.
Ferritina Baixa:
Valores de Ferritina inferiores ao valor normal indicam, com certeza, carência de ferro e permitem o diagnóstico diferencial entre anemia ferropriva (da carência de ferro) e anemias devidas a outras causas.
Os sintomas de ferritina baixa incluem cansaço, fraqueza, palidez, falta de apetite, queda de cabelo, dor de cabeça ou tonturas e, normalmente, estão associados à queda dos níveis de ferro no organismo. Veja outros sintomas e causas de ferritina baixa.
Geralmente, o tratamento é feito com a reposição de ferro e a ingestão de alimentos ricos neste mineral.
Valores baixos geralmente estão associados a:
Deficiência de ferro (anemia ferropriva);
Dieta pobre em ferro;
Perdas sanguíneas (como menstruações intensas ou sangramentos gastrointestinais);
Gravidez.
Hipotireoidismo;
Alimentação pobre em ferro e vitamina C.
Ferritina Alta:
Por fazer parte do grupo de proteínas de fase aguda, a ferritina se eleva em resposta a infecções, traumatismos e inflamações agudas.
Seus níveis podem elevar-se no excesso de ferro, em pacientes transfundidos e em neoplasias, especialmente nas leucemias e linfomas e nos carcinomas de mama, fígado, pulmão, cólon e próstata. E em casos de hemocromatose.
A ferritina também está muito elevada na Doença de Still do Adulto (DSA). A hiperferritinemia pode ser utilizada como marcador da DSA, com especificidade razoável, pois está elevada para valores muito altos (acima de 1.000 µg /l) em mais de 70% dos casos, sendo que o mesmo geralmente não ocorrem em outras desordens inflamatórias. A ferritina também fica bastante elevada em casos de Linfo-histiocitose hemofagocítica.
A obesidade e síndrome metabólica são reconhecidamente doenças que cursam com aumento da atividade inflamatória no organismo, por isso é comum que tais pacientes tenham aumento da ferritina em seus exames.
Eleva-se também nas anemias hemolíticas e sideroblásticas e nas lesões hepáticas, especialmente as lesões alcoólicas. Cerca de 25% dos pacientes com hepatite crônica têm aumento da ferritina. Os níveis séricos de ferritina são caracteristicamente normais ou ligeiramente elevados em pacientes com doença renal crônica.
Os sintomas da ferritina alta geralmente estão associados ao excesso de ferro no organismo, podendo incluir dor muscular e nas articulações, cansaço intenso, dor no abdome e perda de peso sem motivo aparente, por exemplo.
Valores aumentados podem estar relacionados a:
Doenças inflamatórias crônicas
Hemocromatose (acúmulo de ferro)
Doenças hepáticas (como hepática alcoólica ou viral)
Câncer
Infecções, como COVID-19 e pneumonia
Inflamação, devido a artrite reumatoide e lúpus, entre outras
Tireoidite
Alguns tipos de câncer, como leucemia, linfoma ou linfoma de Hodgkin.
Infecções agudas ou crônicas
Síndrome metabólica e resistência à insulina
Défice de ferro
O défice de ferro processa-se no organismo em três estágios:
- Primeiro estágio: ocorre diminuição da ferritina sérica, elemento do sangue que está diretamente relacionado com as reservas de ferro.
- Segundo estágio: a diminuição fica por conta da concentração de ferro sérico e aumento da capacidade de ligação do ferro.
- Terceiro estágio: restrição da síntese de hemoglobina, instalando-se a Anemia.
Atenção – O valor da Ferritina Sérica pode ter aumento de duas a quatro vezes na presença de infecções e processos inflamatórios, o que faz diminuir o seu valor diagnóstico. Isso ocorre porque: o ferro é fundamental para multiplicação bacteriana. Ao detectar infecção, o organismo sequestra ferro dentro das células e eleva a ferritina sérica, dificultando o crescimento microbiano.
Explicações mais detalhadas do processo:
O fígado contribui para a manutenção da homeostase do ferro através do armazenamento de ferro e da regulação da secreção da hepcidina.
O ferro da dieta é absorvido pelo epitélio intestinal e em seguida é transportado para a circulação através da ferroportina.
O ferro absorvido é rapidamente ligado à proteína de ligação de ferro, transferrina. O ferro ligado à transferrina é entregue a células eritróides precursoras.
Outra importante fonte de ferro é a reciclagem de ferro de eritrócitos senescentes por macrófagos. O excesso do ferro no plasma será armazenado nos hepatócitos, sob a forma de ferritina.
A regulação do metabolismo do ferro intracelular é coordenado por mudanças na expressão ou atividade de proteínas envolvidas na absorção de ferro, armazenamento e utilização.
A IRE-IRP (iron-responsive elemento – iron-regulatory protein) é o regulador central do metabolismo do ferro celular, pois permite alterações rápidas na síntese de proteínas em resposta a variações nas concentrações do ferro intracelular.
O controle da síntese de proteínas permitido pelo sistema IRE-IRP ocorre no nível da tradução no citoplasma, incluindo a iniciação da transcrição, o processamento do núcleo e a exportação de mRNA para o citosol. A expressão de proteínas também pode ser regulada transcricionalmente por ferro em uma HIF-dependente (hypoxia-inducible fator). Além disso, várias citocinas inflamatórias, incluindo o interferon-C e interleucinas 1, 2 e 6 podem alterar a transcrição de mRNA de proteínas do metabolismo do ferro. A regulação do metabolismo do ferro por citocinas, particularmente em relação a IL-6, é a responsável pelo mecanismo patogênico da anemia da doença crônica. Uma vez que na anemia da inflamação a produção de hepcidina é estimulada pelo aumento dessa citocina. Em geral, a ligação de citocinas a receptores de superfície inicia uma cascata de sinalização que regula a transcrição no interior do núcleo. Como exemplo, a IL-6 aumenta a expressão de genes – chave, como o HAMP (hepcidin) que codifica a hepcidina através da JAK (Janus kinase)/STAT (signal transducer and activator of transcription).
A regulação da ferritina por citocina condiz com seu comportamento de proteína de fase aguda, sendo secretada no fígado em resposta à inflamação
Exame laboratorial – Dosagem de FERRITINA
– TIBC – Capacidade de ligação do ferro
| Parâmetro | Homens | Mulheres | Crianças |
|---|
| TIBC | 250–400 μg/dL | 250–400 μg/dL | 200–350 μg/dL (1–12 anos) |
Interferências:
Vários fatores podem afetar os resultados do TIBC, incluindo a dieta, o estado de hidratação do paciente, e a presença de doenças crônicas. Por exemplo, infecções, inflamações e doenças hepáticas podem resultar em um TIBC baixo, mesmo na presença de deficiência de ferro. Além disso, o uso de certos medicamentos, como anticoncepcionais orais e anti-inflamatórios, pode interferir nos níveis de ferro e TIBC. Portanto, é importante que o médico considere esses fatores ao interpretar os resultados.
Análise dos resultados:
TIBC ALTO
Quando o TIBC está alto, significa que há pouco ferro disponível, e o corpo aumenta a produção de transferrina para tentar captar mais ferro.
Portanto, de forma geral, valores altos indicam deficiência de ferro ou aumento da necessidade desse mineral.
Um TIBC alto é um alerta importante de falta de ferro no corpo ou aumento da necessidade desse mineral.
As principais causas da capacidade total de ferro alta são:
- Deficiência de ferro;
- Dieta pobre em ferro;
- Perda de sangue prolongada ou repetitiva;
- Menstruação intensa;
- Gravidez (especialmente nos últimos meses);
- Uso de anticoncepcionais hormonais.
- Anemia ferropriva
TIBC alto significa o fígado está produzindo mais proteínas transferrinas para maximizar a absorção e o transporte do ferro disponível na dieta, que é limitado. Esse mecanismo compensatório é a tentativa do seu corpo de aproveitar cada molécula de ferro disponível quando os estoques estão esgotados.
TIBC BAIXO
Quando o TIBC está baixo pode indicar que o corpo já tem ferro em excesso ou que o fígado não está produzindo transferrina suficiente.
Esse resultado deve sempre ser analisado junto a outros exames para formar um diagnóstico correto.
Algumas anemias podem cursar com TIBC baixo, especialmente quando associadas a inflamação crônica ou doença sistêmica.
Explicação:
TIBC (Capacidade Total de Ligação do Ferro) diminui porque a inflamação reduz diretamente a produção de transferrina pelo fígado.
Mecanismo biológico dessa modulação:
- A transferrina é considerada um “reagente de fase aguda negativo.”
Durante uma inflamação (seja ela aguda ou crônica), o sistema imunológico libera proteínas de sinalização chamadas citocinas inflamatórias (como a Interleucina-6). Essas citocinas reprogramam o fígado sendo que
O fígado passa a produzir mais proteínas de defesa conhecidas como reagentes de fase aguda positivos (como a ferritina e a PCR).
O fígado deixa de produzir proteínas estruturais e de transporte desnecessárias para o combate imediato, chamadas de reagentes de fase aguda negativos — que é exatamente o caso da transferrina
- A inflamação estimula a produção de um hormônio chamado hepcidina. A hepcidina “esconde” o ferro do corpo, bloqueando sua absorção no intestino e prendendo o ferro existente dentro dos macrófagos e células de armazenamento.
Como o ferro circulante cai drasticamente (ficando sequestrado), o organismo entende que não há necessidade de fabricar muitas proteínas transportadoras (transferrina) para circular no sangue, reduzindo ainda mais o TIBC. Trata-se de um mecanismo evolutivo para “tirar o ferro de circulação”, já que muitas bactérias e microrganismos utilizam o ferro livre no sangue para se multiplicarem.
Breve comparativo
No final do artigo, será apresentado um quadro geral de interpretações.
Exame laboratorial: Dosagem de TIBC
– CLF – Capacidade latente de ligação do ferro
Esse índice é também conhecido como UIBC (Unsaturated Iron-Binding Capacity), mede a quantidade de transferrina no sangue que ainda está livre e não ocupada pelo ferro.
Como já explicado, o ferro participa de uma variedade de processos vitais no organismo, desde os mecanismos de oxidação celular ao transporte e alimentação de oxigênio para as células do organismo.
É um elemento constituinte das cromoproteínas transportadoras do oxigênio, hemoglobina e mioglobina, bem como de várias enzimas, nomeadamente citocromo oxidase e peroxidases.
O restante do ferro no organismo está presente nas flavoproteínas, nas proteínas enxofre-ferro, bem como no ferritina de armazenamento e no transporte de ferro-transferrina.
A concentração medida de ferro no soro é principalmente a fixação de Fe(III) com transferrina de soro e não inclui o ferro existente no soro como hemoglobina livre.
Normalmente, um terço de sítios de fixação de ferro de transferrina são ocupados por Fe(III), por esse motivo, a transferrina de soro possui uma considerável reserva de capacidade de fixação de ferro. A isto se chama a capacidade de fixação do ferro, não saturada ou latente, no soro. As medidas de UIBC podem ser utilizadas em associação com a concentração de ferro no soro para obter a capacidade de fixação de ferro total (TIBC) i.e., a concentração máxima de ferro que as proteínas de soro, sobretudo a transferrina, podem fixar. A TIBC é reduzida em infecções crônicas, malignidade, no envenenamento por ferro, doença renal, nefrose, Kwashiorkor e talassemia. As causas comuns para um aumento da TIBC incluem a anemia por deficiência de ferro, gravidez tardia, contracepção oral e hepatite vírica.
Resumindo – Entender esse índice é muito importante.
A Transferrina é a proteína responsável por transportar o ferro pelo corpo. Em condições normais, apenas um terço dos locais de ligação da transferrina fica ocupado. Os outros dois terços formam a reserva ou capacidade latente
A soma da CLF com o ferro sérico resulta no TIBC (Total Iron-Binding Capacity, ou capacidade total de ligação do ferro).
Valores de referência:
Os valores de referência da capacidade latente de ligação do ferro (CLF) são:
Resultado Valores de referência
CLF normal 155 a 355 mcg/dL
CLF baixo Abaixo de 155 mcg/dL
CLF alto Acima de 355 mcg/dL
Os valores podem variar conforme o laboratório e a metodologia utilizada.
Os resultados nunca devem ser analisados isoladamente. A interpretação depende do hemograma, ferritina e outros exames do ferro.
Interpretação:
CLF latente alta – de forma geral, indica que o seu organismo tem baixo estoque ou falta de ferro circulante no sangue.
Indicam que há muita transferrina livre, o que, também, costuma apontar falta de ferro no organismo.
– Uma capacidade de fixação latente do ferro alta indica uma baixa quantidade de ferro circulante no organismo ou um aumento na proteína de transporte (transferrina).
CLF latente baixa – de forma geral, indica que o seu organismo tem alto teor de ferro circulante.
Indicam que há pouca transferrina livre.
Uma capacidade de fixação latente do ferro baixa, geralmente aponta para duas situações principais: excesso de ferro no organismo ou redução na produção da proteína transportadora (transferrina)
Valores baixos: Indicam que os locais da proteína já estão saturados ou que há pouca proteína circulante, o que pode ocorrer em excesso de ferro, anemias, doenças crônicas, desnutrição ou inflamações.
Causas de variações:
Principais causas de CLF latente alta
deficiência de ferro ou anemia ferropriva (causas mais comuns);
alimentação pobre em ferro;
doença celíaca (reduz a absorção de ferro nos intestinos);
perda de sangue crônica por menstruação intensa ou sangramentos gastrointestinais;
uso de contraceptivos orais.
Principais causas de CLF latente baixa
Sobrecarga de ferro: O corpo está com mais ferro circulando do que o normal, ocupando quase todas as vagas da proteína (como na hemocromatose hereditária ou após repetidas transfusões de sangue). Toxicidade ou envenenamento agudo por ingestão de ferro.
Doenças hepáticas crônicas (como cirrose ou hepatite): Como a transferrina é produzida no fígado, condições como cirrose ou hepatite diminuem a quantidade dessa proteína no sangue.
Inflamações crônicas ou infecções: Processos inflamatórios de longo prazo alteram a forma como o organismo distribui e transporta o ferro.
Desnutrição proteica: A falta de nutrientes impede que o corpo fabrique as proteínas transportadoras de forma adequada.
Alterações genéticas: que aumentam a absorção de ferro dos alimentos (principal causa);
Anemia Hemolítica , talassemia ou anemia sideroblástica;
hipertireoidismo e síndrome nefrótica;
Exame laboratorial: Dosagem de CLF
O exame avalia a capacidade não saturada da transferrina, ou seja, a capacidade residual da transferrina de transportar ferro no organismo.
A análise costuma ser indicada na investigação de anemia, deficiência de ferro e excesso de ferro. O resultado deve ser interpretado junto a outros exames.
O exame pode ser solicitado em diferentes situações clínicas, como:
- investigação de anemia;
- suspeita de deficiência de ferro;
- rastreamento de hemocromatose hereditária;
- avaliação de sobrecarga de ferro (excesso de ferro no organismo);
- monitoramento do tratamento com ferro;
- investigação de alterações em enzimas hepáticas quando há suspeita de hemocromatose.
A indicação varia conforme os sintomas, histórico de saúde e resultados de outros exames laboratoriais.
NOTA: Qual a diferença entre CLF e TIBC?
A capacidade latente de ligação do ferro (CLF) mede apenas a parte da transferrina que ainda não está ligada ao ferro.
O TIBC, também chamado de capacidade total de ligação do ferro, representa a capacidade total da transferrina de transportar o ferro, ou seja, inclui a parte ocupada e a parte livre.
Na prática, o TIBC é a soma do ferro sérico com a CLF. Essa relação ajuda a calcular a saturação da transferrina e entender melhor o metabolismo do ferro.
– ELHB – Eletroforese de Hemoglobina
Estudar a hemoglobina é uma das formas de avaliação do que chamamos de “estado hematológico”.
A amplitude de possibilidade e pré diagnósticos vai muito além da simples detecção de uma anemia ou ainda mais, de uma anemia por falta de ferro.
Nos marcadores acima, já foi verificada muitas variantes que controlam o ferro e aqui, mais um “marcador”. A molécula que contêm o ferro. A Hemoglobina.
A hemoglobina que é dosada no Hg é a hB total que é composta por vários tipos ou frações de hemogloginas .
A eletroforese faz uma separação desses vários tipos através da eletroforese.
A eletroforese separa as frações da hemoglobina através da diferenciação de suas cargas. Trata-se de uma técnica laboratorial que separa as diversas formas de hemoglobina com base em suas cargas elétricas, através de uma corrente elétrica e uma ddp (diferença de potencial) permitindo a identificação e quantificação de cada uma delas.
É aplicado um campo elétrico a uma amostra de hemácias lisadas (rompidas) em um meio específico e as diferentes moléculas de hemoglobina migram em velocidades distintas. A hemoglobina normal do adulto (HbA) se move de uma maneira, enquanto a hemoglobina fetal (HbF) e variantes como a hemoglobina falciforme (HbS) seguem padrões únicos. O resultado é um perfil que revela as proporções de cada tipo de hemoglobina, funcionando como uma verdadeira assinatura molecular.
Uma variação no tipo e na concentração dessas frações de hemoglobina, detectam se há uma hemoglobinopatia. Hemoglobinopatias são doenças genéticas hereditárias que alteram a estrutura ou a produção da hemoglobina.
A eletroforese aponta duas formas de alterações:
- Alterações Qualitativas: Ocorrem quando há um defeito na estrutura da hemoglobina. O exemplo clássico é a anemia falciforme, na qual a presença da hemoglobina S (HbS) é o achado central.
- Alterações Quantitativas: Caracterizam-se pela produção reduzida ou ausente de uma das cadeias de globina. Este é o caso das talassemias, onde a eletroforese pode revelar um aumento compensatório nos níveis de HbA2 ou HbF.
A principal indicação para a eletroforese de hemoglobina é a investigação de anemias com suspeita de causa hereditária, especialmente em quadros de anemia microcítica (hemácias de tamanho reduzido) que não são explicados por deficiência de ferro. É o exame de escolha para confirmar ou descartar:
- Talassemia e suas variantes.
- Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias estruturais.
- Anemias hemolíticas de causa indeterminada.
Contudo, é igualmente importante entender que este exame não é útil para o diagnóstico de anemia ferropriva. Na deficiência de ferro, a produção de toda a hemoglobina é globalmente afetada, mas as proporções relativas entre os tipos normais (HbA e HbA2) permanecem inalteradas. Embora a eletroforese seja um método robusto, técnicas mais avançadas como a Cromatografia Líquida de Alta Performance (HPLC) são hoje consideradas o padrão-ouro em muitos laboratórios por oferecerem uma quantificação ainda mais precisa.
Para mais detalhes dessas anemias, pode consultar o artigo Hemocromatose e Doenças Hematológicas Hereditárias: Guia Completo de Causas, Diagnóstico e Tratamento
Interpretando o Laudo da eletroforese de hemoglobina:
Entender o laudo da eletroforese é mais simples do que parece. A chave é saber que, especialmente na triagem neonatal (“Teste do Pezinho”), as letras que descrevem o padrão estão em ordem decrescente de quantidade.
Vamos decifrar os padrões mais comuns em recém-nascidos:
- Padrão FA (Normal): Perfil esperado em um recém-nascido saudável. Indica Hemoglobina Fetal (HbF) em maior quantidade, seguida pela Hemoglobina Adulta (HbA).
- Padrão FAS (Traço Falciforme): Presença de HbF, HbA e Hemoglobina S (HbS), nesta ordem (F > A > S). Significa que o bebê é portador do traço falciforme (heterozigoto, Hb AS) e geralmente não manifesta a doença.
- Padrão FS (Anemia Falciforme): Presença de HbF e HbS (F > S), com ausência total de HbA. Este é o perfil clássico da anemia falciforme (homozigoto, Hb SS).
- Padrão FSC (Doença da Hemoglobina SC): Presença de HbF, HbS e Hemoglobina C (HbC). Característico da hemoglobinopatia SC, uma forma de doença falciforme com manifestações mais brandas.
- Padrão FSA (S/beta-talassemia): A ordem é F > S > A, indicando que a HbS é mais abundante que a HbA. Sugere uma S/beta-mais (β⁺) talassemia, onde há produção muito reduzida, mas não ausente, de HbA.
A quantificação em porcentagem é igualmente fundamental. Por exemplo, em um adulto com traço falciforme (Hb AS), a HbS compõe cerca de 35-45% do total, enquanto na anemia falciforme (Hb SS), pode ultrapassar 80-95%.
A investigação de uma talassemia ou hemoglobinopatia raramente começa com um exame complexo. Como sempre, o processo se inicia com o exame de sangue mais fundamental da prática médica: o hemograma completo.
Ao analisar um Hg é possível ter um foco inicial na suspeita de uma hemoglobinopatia se volta para a série vermelha e seus índices hematimétricos:
- Hemoglobina (Hb): Sua redução define a anemia.
- Volume Corpuscular Médio (VCM): Um VCM baixo indica microcitose (hemácias pequenas).
- Hemoglobina Corpuscular Média (HCM): Um HCM baixo aponta para hipocromia (hemácias “pálidas”).
Uma anemia microcítica e hipocrômica (VCM e HCM baixos) é o achado clássico que acende o alerta. Embora a causa mais comum seja a deficiência de ferro, este padrão também é a marca registrada das síndromes talassêmicas. O hemograma, no entanto, apenas nos diz que há um problema, mas não o porquê.
Exame Laboratorial – Eletroforese de HEMOGLOBINA
ELHBC – Eletroforese de Hemoglobina com confirmação por HPLC
– HPTO – Haptoglobina – “Faxineira” da hemólise
Muitas hemoglobinopatias e talassemias graves causam hemólise, a destruição prematura das hemácias. Entender e confirmar este processo é um passo decisivo no diagnóstico. Nesse cenário, um dos marcadores mais sensíveis é a haptoglobina.
A haptoglobina é uma proteína produzida pelo fígado que atua como uma “faxineira molecular”, ligando-se à hemoglobina livre que escapa das hemácias destruídas. Este complexo é rapidamente removido da circulação.
Em um quadro de hemólise intensa, a destruição de hemácias libera tanta hemoglobina que a haptoglobina é consumida mais rápido do que o fígado consegue produzi-la. O resultado é uma haptoglobina baixa ou indetectável, um achado laboratorial clássico de anemia hemolítica.
A haptoglobina fixa a hemoglobina secretada na lise de eritrócitos. O complexo haptoglobina/hemoglobina é eliminado rapidamente da circulação. Uma secreção de hemoglobina aumentada por hemólise intravascular leva a uma queda da concentração de haptoglobina e, em hemólises graves, mesmo ao seu completo consumo. Nas crianças, a determinação de haptoglobina não se presta ao diagnóstico hemolítico, pois a haptoglobina não se encontra fisiologicamente no soro delas senão em fraca concentração. Haptoglobina é uma proteína da fase aguda, cuja concentração sérica pode se apresentar fortemente aumentada nos estados inflamatórios.
Doenças Relacionadas
Anemias hemolíticas autoimunes, Coagulação intravascular disseminada, Anemias megaloblásticas, Hemoglobinopatias, Hepatopatias
Exame Laboratorial – Dosagem de HAPTOGLOBINA
– Hepcidina – Regulador da homeostase sistêmica
A Hepcidina é o hormônio produzido pelo fígado que atua como o principal regulador do metabolismo e da quantidade de ferro no organismo.
Como se sabe, o ferro é um elemento essencial para a homeostase celular. A capacidade do ferro de doar e receber elétrons o torna indispensável para diversas reações celulares. O mediador primário da homeostase do ferro é a hepcidina.
A Hepcidina é um hormônio peptídico, constituído por 25 aminoácidos, sintetizado nos hepatócitos, induzida por sobrecarga de ferro, infecção, lipopolissacarideos (LPS) e citocinas pró-inflamatórias, tais como a Interleucina–6
A ação principal da Hepcidina é internalizar e degradar a Ferroportina, proteína responsável pela transferência de ferro para a circulação através de enterócitos e monócitos .
Assim, um nível elevado de hepcidina leva à supressão da absorção intestinal de ferro e da liberação de ferro a partir de macrófagos e hepatócitos, enquanto uma baixa concentração de hepcidina conduz a aceleração da libertação de ferro a partir dessas células . A interação da hepcidina com a ferroportina e o seu papel na regulação do transporte de ferro tem possibilitado um entendimento a nível molecular da regulação homeostática da absorção e distribuição do ferro e do seu comportamento na hemocromatose hereditária e anemia da inflamação.
Reforçando: As ações biológicas da hepcidina são mediadas pela sua ligação a ferroportina, o principal canal de efluxo de ferro celular. No caso de enterócitos duodenais, o aumento da hepcidina impede a circulação de ferro da dieta para a circulação através da ferroportina.
O rápido sequestro de ferro em macrófagos e a redução entérica da absorção de ferro a longo prazo, pode eventualmente levar á anemia, diminuindo a disponibilidade de ferro para a eritropoiese. Por outro lado, a ausência de hepcidina leva á absorção de ferro duodenal não regulamentado e subsequente a sobrecarga de ferro.
Mais detalhes sobre a ação da Hepcidina podem ser encontrados nos artigos –
Hepcidina como regulador da homeostase do ferro .
Hepcidina como parâmetro bioquímico na avaliação da anemia por deficiência de ferro
O Papel na Saúde e em Doenças
- Inflamação: Durante infecções ou inflamações, o corpo aumenta a produção de hepcidina (estimulada por sinais como a interleucina-6) para “esconder” o ferro dos micro-organismos, o que pode gerar a chamada anemia da inflamação.
- Excesso de Ferro: A falta ou a baixa produção de hepcidina causa o acúmulo descontrolado de ferro no organismo, quadro típico da hemocromatose hereditária.
- Diagnóstico: A medição dos níveis de hepcidina no sangue pode ajudar médicos a diferenciar tipos de anemia e avaliar distúrbios do metabolismo do ferro.
Exame laboratorial – Dosagem de HEPCIDINA
– FERROPORTINA – proteína exportadora de ferro que contribui para a homeostase do ferro a nível sistêmico
A ferroportina é uma proteína transmembranar que transporta ferro do interior da célula para o exterior da célula.
A ferroportina é a única proteína transmembrana conhecida responsável por exportar o ferro das células para o plasma sanguíneo
Permite que o ferro saia de células importantes, como os enterócitos (no intestino, após a absorção da dieta), os macrófagos (que reciclam o ferro de hemácias velhas) e os hepatócitos (no fígado, onde o ferro é armazenado).
Após o ferro dietético ser absorvido pelas células do intestino delgado, a ferroportina permite que esse ferro seja transportado para fora dessas células e para a corrente sanguínea. A Fpn também medeia o efluxo de ferro reciclado dos macrófagos residentes no baço e no fígado.
A Ferroportina é também conhecida como (SLC40A1) ou regulador de transporte de ferro. É uma proteína codificada pelo gene SLC40A1 em humanos.
A ferroportina foi encontrada na superfície das células que acumulam ou transportam ferro, como: enterócitos no duodeno , hepatócitos , células Kupffer no fígado, macrófagos do sistema retículo endotelial e células placentárias.
A ferroportina é regulada pela hepcidina, um hormônio produzido pelo fígado. Como já explicado, a hepcidina se liga à Fpn e limita sua atividade de efluxo de ferro, reduzindo assim a entrega de ferro ao plasma sanguíneo. Portanto, a interação entre Fpn e hepcidina controla a homeostase sistêmica do ferro .
A ferroportina é regulada pelo mecanismo de feedback entre a proteína reguladora do ferro (IRP) e o elemento de resposta do ferro (IRE). Em uma situação de deficiência de ferro, a concentração de IRP aumenta, inibindo a tradução do mRNA da ferroportina. A tradução do mRNA também é regulada pelo microRNA miR-485-3p. Além disso, a expressão da ferroportina é regulada pelo fator de transcrição HIF2α .
– A proteína reguladora de ferro (IRP, proteína reguladora de ferro ), também anteriormente chamada de RFID ( Iron Regulatory Factor ), IRE-BP ( Iron Responsive Element Binding Protein ), FRP ( Ferritin Repressor Protein ) ou P-90 são proteínas capazes de se ligar a um porção específica do RNA mensageiro denominado elemento de resposta ao ferro ou IRE ( elemento responsivo ao ferro ). Existem duas formas distintas de IRP: IRP1 e IRP2 . Essas proteínas são um dos principais atores na regulação do metabolismo do ferro.
– O elemento de resposta ao ferro ou IRE ( iron-response element ) é um segmento de RNA capaz de adotar uma estrutura em haste-alça específica. Um ou mais IREs são encontrados em mRNAs que codificam proteínas envolvidas na regulação da concentração de ferro intracelular em muitos eucariotos : ferritina , o receptor de transferrina TfR1 , a enzima ALAS2 , aconitase ACO2, a enzima CDC14A (en) , ferroportina ou o transportador DMT1 (en ) .
Doença de FERROPORTINA – Autossómica dominante
Patologia rara do metabolismo e do transporte de ferro caracterizada por retenção de ferro nos macrófagos (particularmente do fígado e do baço), com um quadro clínico de anemia ligeira e níveis elevados de ferritina sérica.
A doença da ferroportina é diferente da hemocromatose, uma vez que não está associada a elevação da saturação da transferrina ou a baixas concentrações de hepcidina.
Distúrbios hereditários HEMOCROMATOSE
A hemocromatose (HC) é uma doença geneticamente heterogênea na qual a absorção intestinal descontrolada de ferro pode levar à sobrecarga progressiva de ferro (SOF), responsável por complicações incapacitantes e potencialmente fatais, como artrite, diabetes, insuficiência cardíaca, cirrose hepática e carcinoma hepatocelular.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34601591/
Distúrbios hereditários de sobrecarga de ferro
A sobrecarga hereditária de ferro abrange diversas doenças caracterizadas pelo acúmulo de ferro em tecidos, órgãos ou até mesmo em células individuais ou compartimentos subcelulares. Elas são determinadas por mutações em genes diretamente envolvidos na regulação da hepcidina, na captação celular de ferro, no gerenciamento e na exportação, no transporte e no armazenamento de ferro. As formas sistêmicas são caracterizadas pelo aumento da ferritina sérica, com ou sem alta saturação de transferrina, e com ou sem anemia ferropriva funcional.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32258529/
Exame laboratorial – Não existe um exame de sangue laboratorial de rotina para dosar a ferroportina. Ela é uma proteína interna das membranas celulares e sua atividade é avaliada de forma indireta por meio de outros marcadores do metabolismo do ferro.
Como a ferroportina fica “escondida” na parede das células (como nos enterócitos do intestino e nos macrófagos), medir sua quantidade absoluta no sangue periférico não traria utilidade clínica prática para o diagnóstico no dia a dia.
Quando existe necessidade de investigar distúrbios genéticos muito raros ligados a ela (como a Hemocromatose tipo 4 ou Doença da Ferroportina), recorre-se a testes genéticos de DNA para identificar mutações no gene SLC40A1 (responsável por fabricar a ferroportina), e não à dosagem da proteína em si.
– EPO – Atuação da Eritropoietina
A eritropoietina (EPO) é um hormônio (glicoproteína)produzido naturalmente pelo organismo — principalmente pelos rins (cerca de 90%) e, em menor quantidade, pelo fígado.
Também chamada de hemopoetina, é produzida por fibroblastos intersticiais no rim em estreita associação com o peritubular capilar e túbulo epitelial tubular. Também é produzido em células perisinusoidais no fígado. Enquanto a produção hepática predomina no período fetal e perinatal, a produção renal é predominante durante a idade adulta.
Além da eritropoiese, a eritropoietina tem também outras funções biológicas conhecidas. Por exemplo, ela desempenha um papel importante na resposta do cérebro à lesão neuronal.[1] EPO também está envolvido no processo de cicatrização da ferida.[2]
Ver: A eritropoietina previne a apoptose neuronal após isquemia cerebral e estresse metabólico.
A principal função da eritropoietina é estimular a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos). As hemácias são as células responsáveis por carregar o oxigênio dos pulmões para todo o resto do corpo.
Quando os níveis de oxigênio caem no sangue, os rins liberam mais EPO para aumentar a produção de células vermelhas.
A EPO vai até a medula óssea (principalmente de ossos longos e chatos). Lá, ela estimula as células-tronco a se diferenciarem e produzirem mais eritrócitos (células vermelhas do sangue / hemácias).
O mecanismo de ação da eritropoietina
A eritropoietina (Epo) é um hormônio glicoproteico produzido nos rins que atua sobre as células progenitoras eritroides na medula óssea. Um sistema de retroalimentação negativa, no qual a oxigenação tecidual controla a produção de Epo e a Epo controla a produção de glóbulos vermelhos (hemácias), proporciona homeostase no fornecimento de oxigênio aos tecidos do corpo. As células-alvo da ação da Epo são as células progenitoras eritroides comprometidas, que possuem receptores específicos para o hormônio. O receptor de Epo pertence a uma família maior de receptores de fatores de crescimento hematopoiéticos. Nenhum sistema de segundo mensageiro conhecido foi implicado na transdução de sinal a partir do receptor de Epo. Embora a Epo possa ter algum efeito sobre a mitose em células progenitoras eritroides iniciais, seu controle da produção de hemácias parece ocorrer em estágios posteriores do desenvolvimento das células eritroides, onde previne a morte celular programada.
Aumento de Eritropoetina
A produção de eritropoetina (EPO) é estimulada em situações em que o organismo percebe uma redução nos níveis de oxigênio disponíveis para os tecidos. Essa resposta é uma parte crucial do mecanismo de regulação homeostática do corpo para garantir um suprimento adequado de oxigênio. Algumas das situações que podem aumentar a produção de eritropoetina incluem:
- Supressão da medula óssea;
- Tumores produtores de eritropoetina;
- Policitemia secundária (ex: altas altitudes, doenças pulmonares);
- Elevação de hormônios (ex: GH, TSH e ACTH)
- AIDS;
- Doping;
- Quimioterapia;
- Anemia ferropriva;
- Anemia megaloblástica;
- Anemias hemolíticas;
- Anemia aplásica;
- Doação de sangue;
- Gestação; e
- Medicamentos (ex: esteroides, anabolizantes, andrógenos e contraceptivos orais).
Diminuição de Eritropoetina
Em contrapartida, a eritropoetina (EPO) pode estar diminuída em algumas situações, resultando em efeitos sobre a produção de glóbulos vermelhos. Aqui estão algumas das condições que podem levar a uma redução na produção de eritropoetina:
- Doenças renais;
- Nefrectomia;
- Policitemia Vera;
- Transfusões sanguíneas;
- Doenças crônicas (ex: artrite reumatoide); e
- Medicamentos (ex: enalapril, acetazolamida, anfotericina B, cisplatina, furosemida e teofilina.)
Interpretação da Eritropoetina como marcador
É possível medir os níveis de eritropoetina (EPO) para avaliar algumas situações clínicas tais como:
- Anemia: A EPO é essencial para a produção de glóbulos vermelhos, e os níveis podem estar elevados em resposta à anemia;
- Avaliação de distúrbios hematológicos: em casos de distúrbios hematológicos, como policitemia (aumento anormal da quantidade de glóbulos vermelhos), podemos solicitar um teste de eritropoetina para entender melhor a causa dessa condição;
- Insuficiência renal: problemas renais, especialmente insuficiência renal crônica, podem levar a alterações nos níveis de eritropoetina. A EPO é produzida pelos rins, e níveis baixos podem indicar disfunção renal;
- Doenças pulmonares crônicas: distúrbios pulmonares, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), podem levar a hipoxemia (baixos níveis de oxigênio no sangue), estimulando a produção de eritropoetina;
- Avaliação de atletas ou pessoas expostas a altas altitudes: em alguns casos, podemos utilizar a dosagem de EPO para monitorar o uso indevido de substâncias dopantes que administram eritropoetina artificialmente para melhorar o desempenho atlético; e
- Antes de transplantes de medula óssea ou de rim: em certos casos, especialmente antes de transplantes de órgãos, podemos avaliar os níveis de eritropoetina como parte da avaliação pré-operatória.
Exame laboratorial
Dosagem de Anticorpos ANTI – ERITROPOETINA
4- Resumo de exames complementares:
Todas as apresentações acima foram compiladas para que se tenha uma breve visão da importância do Ferro e do seu real entendimento.
A partir das dosagem básicas e simples do Hemograma e do Ferro sérico é possível analisar e buscar a raiz do quadro patológico apresentado.
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- Outras fontes:
https://gde.diagnosticosdobrasil.com.br/
Comentários e complementações do artigo serão muito bem vindos
Dra. Célia Wada – CRF SP 7043 / CRF RJ 34658





