Síndrome Metabólica

Não existe um único critério aceito universalmente para definir a Síndrome.

Os dois mais aceitos são os da Organização Mundial de Saúde (OMS) e os do National Cholesterol Education Program (NCEP) – americano. Porém o Brasil também dispõe do seu Consenso Brasileiro sobre Síndrome Metabólica, documento referendado por diversas entidades médicas.

Matéria escrita pela Nutricionista

Lizandra C. Calvo de Souza – NUTRICIONISTA

Síndrome Metabólica

 A síndrome metabólica (SM) é um transtorno bem complexo causada por diversos fatores de risco cardiometabólico, como hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia (LDL-c alto, HDL-c baixo, triglicérides alto), obesidade, resistência à insulina, sendo os principais a obesidade central (acúmulo de gordura abdominal) e a resistência à insulina.

Ao longo dos anos houve um interesse crescente nesta constelação de fatores de risco cardiovascular intimamente relacionados. Embora a associação de vários desses fatores de risco seja conhecida há mais de 80 anos, o agrupamento recebeu pouca atenção até 1988, quando Reaven descreveu a síndrome X: resistência à insulina, hiperglicemia, hipertensão, colesterol HDL baixo e triglicerídeos.  Surpreendentemente, ele omitiu a obesidade, agora vista por muitos como um componente essencial, especialmente a obesidade visceral. Vários nomes foram posteriormente propostos, sendo o mais popular a síndrome metabólica.

Atualmente o aumento da SM se deve ao alto consumo de calorias e ao pequeno gasto energético causado pincipalmente pelo estilo de vida atual e pelo padrão de dieta tipicamente ocidental, ou seja, repleto de gorduras saturadas, açúcar, pobre em frutas, verduras, legumes e cereais integrais.  Portanto é necessário prevenir o surgimento da SM desde cedo através da adoção de hábitos saudáveis como a prática de atividade física regular e alimentação equilibrada com diminuição de calorias, redução de açúcar livre e ingestão de carboidratos preferencialmente na forma de frutas, verduras, legumes e grãos integrais.

Estudos apontam que neste contexto a dieta Low Carb (LC), ou seja, dieta com diminuição de carboidratos, tem papel importante na prevenção e no tratamento da SM, pois, combate os fatores que causam a doença diminuindo o risco de morte por eventos cardiovasculares. Em adultos jovens, por exemplo, prevenir a resistência à insulina diminui em 42% o risco de infarto do miocárdio, e de acordo com evidência científica uma dieta rica em verduras, legumes e peixes, é benéfica para pacientes diabéticos e consequentemente para quem tem resistência à insulina, além de contribuir para a diminuição do peso corporal.

Então para se ver livre dos fatores que causam a SM mantenha uma vida ativa, realize atividades físicas regularmente, elimine o açúcar (doces, refrigerantes, sucos artificiais), reduza de forma significativa a ingestão de carboidratos refinados (pães, massas, biscoitos, bolos) e consuma diariamente verduras, legumes, frutas, carboidratos de baixo índice glicêmico (mandioca, abóbora, mandioquinha, inhame, cará), reduza o estresse e procure ter um sono reparador.

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Lizandra C. de Souza

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